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Há pouco mais de uma década, pensar em ter um telemóvel, que permitisse ligar para alguém de qualquer lugar, para qualquer lugar, em qualquer momento, era um cenário digno de um filme de ficção científica. Imaginar que tal seria quotidiano na comunicação entre pessoas que se encontram em continentes diferentes, era algo que ninguém considerava realizável.

No início dos anos 90, quem acreditaria que, com a entrada no novo Milénio, mais de uma dezena de Estados europeus adoptariam uma moeda única para regular destinos condicionados pela livre circulação de pessoas e bens?

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Dez anos atrás, quem vislumbraria a possibilidade das trocas comerciais se liberalizarem tanto em termos mundiais? E quem veria como possível que outros grandes espaços se organizariam em moldes que mimetizam o projecto da União Europeia?

Nessa altura, só, talvez, Bill Gates acreditasse que, a curto prazo, centenas de milhões de cidadãos em todo o mundo estariam ligados entre si por uma rede de comunicações, escrita e através da imagem, global e sem limites.

Nos dias de hoje, todos estes cenários se tornaram realidade e mesmo rotineiros.

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Em paralelo, num movimento sinérgico com toda esta evolução, caíram ditaduras, esboroou-se o Império soviético e alargou-se o número de países rendidos à democracia liberal.

Toda esta convulsão, apelidada de globalização, fez com que muitos acreditassem que as Nações tinham os dias contados, que a "normalização" cultural e linguística seria inevitável e que tal harmonia passaria pela imposição da hegemonia de meia dúzia de Estados mais poderosos e dominantes.

Nada de mais errado. Estes passos foram acompanhados de outros que mostram que um novo equilíbrio só será atingido quando a tal "mundialização" se conjugar com o respeito pela preservação das diferentes identidades.

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É neste caldo de cultura que se abrem novas "janelas" de oportunidades para Nações e Estados, territorialmente pequenos, mas com vontade e desígnio.

A "mundialização" poderá apagar do mapa os mais frágeis e timoratos, mas poderá ser uma nova "epopeia de descobertas", e de consequentes oportunidades, para os mais voluntariosos e audazes.

Foi, neste contexto, que renasceram os novos e dinâmicos Estados bálticos, e muitos outros que quase pareciam ter sido exterminados pelas purgas estalinistas. Foi neste caldo de cultura que Portugal tem afirmado uma voz audível e coerente no contexto internacional.

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Portugal e o seu Governo têm estado particularmente bem, na gestão da sua política externa, perspectivando ter encontrado o tom certo para lidar com este novo mundo. A forma como, contra a maré, se posicionou na problemática que conduziu à guerra no Iraque e o modo como tem co-liderado os "pequenos" Estados europeus no combate contra a tentativa de "take over" franco-alemão, são óptimos augúrios.

Nos próximos dias, o Ministro dos Negócios Estrangeiros desloca-se a Toronto e a outras cidades canadianas. Vai mostrar solidariedade aos nossos mais de 500 mil emigrantes, mas vai, igualmente, colocar-se, com coragem física e lucidez intelectual, ao lado de um aliado grande e poderoso, injustamente abandonado, nas últimas semanas, pelos seus principais aliados.

Portugal continua assim a consolidar o seu papel de pedra angular na manutenção da coesão euro-atlântica.

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Vão ouvir-se vozes críticas e mesmo pouco patrióticas, como as que, de forma irresponsável, já colocaram reservas à nossa participação na reconstrução do Iraque. O ministro Martins da Cruz até corre o risco de o acusarem de, malevolamente, querer introduzir o vírus da pneumonia atípica em Portugal!

Paciência, ignoremos essas vozes críticas.

São as mesmas que teriam defendido a implosão das naus de Vasco da Gama à saída do Tejo e que teriam barrado o caminho a Nuno Álvares Pereira, gritando "antes castelhanos do que mortos". São as mesmas que teriam compreendido a "sensatez" e o pragmatismo de Miguel de Vasconcelos.

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Ignoremo-las, até porque, os que assim pensam, nunca ficaram para a História.

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