Por vezes queixava-se, mas preferia gastar as suas energias a estimar a família, os amigos, os colegas, os alunos. Sabia que as pessoas podiam fazer mais por ele do que o Estado. Também aqui ele via além da maioria dos portugueses, que ainda hoje espera e reclama do Estado a resolução dos seus problemas.
Cavaco Silva inicia hoje mais uma jornada contra esta castradora mentalidade. É essa a mais-valia do ‘Roteiro para a Inclusão’ do Presidente da República. A iniciativa e as palavras podem soar a ‘déjà vu’, mas o facto desta estar a ser feita exclusivamente pela positiva distingue-a. Como no combate à corrupção, o discurso presidencial aponta o envolvimento e o empenho dos portugueses.
É assim que Cavaco Silva tem mostrado interpretar a magistratura de influência – para além dos gabinetes e dos bastidores políticos. Provando que, ao contrário do que chegou a ser discutido há cerca de um ano e como demonstrou Jorge Sampaio na recta final do seu mandato, o reforço dos poderes presidenciais passa pela dinâmica de quem os exerce antes de qualquer revisão da Constituição.
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