Ao longo de todo o ano temos lições sobre o futebol europeu de clubes e, de quatro em quatro anos, temos uma reciclagem mundial de selecções. O mundo do futebol abre-nos o mundo como raras, ou nenhuma, outra actividade.
De Trinidad-Tobago os portugueses ignoram quase tudo. Não deviam: já houve emigração madeirense importante para lá, e os portugueses tiveram papel relevante na cultura e política do país caribenho. Não sabemos que a sua Literatura, que já deu um Nobel (V. S. Naipaul), foi fundada por um filho de portugueses (Alfred Mendes) e o seu melhor rum se chama ‘Fernandes’. Mas sabemos, desde ontem, e é bom sabê-lo, que Trinidad-Tobago tem uma equipa de futebol capaz de jogar de igual para igual com a Suécia.
E durante os próximos dias vamos saber mais de Trinidad-Tobago. Não é por culpa do futebol, é apesar dele, que sabemos ainda tão pouco. Com Angola, o problema não é sabermos pouco, é julgarmos saber muito. Dava jeito tirar falsas ideias da cachimónia. Vou para o jogo desta tarde com uma dívida.
O cantor angolano Bonga disse: “Sou por Angola, mas logo que sejamos eliminados, passo para Portugal”. Dentro de um ou dois Mundiais direi o mesmo, ao contrário.
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