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Alguns observam que o conceito de fama mudou – dantes, era conferida àqueles que faziam algo de útil, como descobrir a gravidade ou vencer uma guerra mundial. Hoje, é esbanjada com qualquer tipa que fique em segundo lugar num concurso de TV, depois se dispa para uma revista masculina e por fim escreva a sua autobiografia aos 25 anos, numa clínica de reabilitação.

O alvo emblemático é Paris Hilton, a criatura mais famosa simplesmente por ser famosa. Os críticos vêem Paris (e Britney ou Lindsay Lohan, etc.) como cavaleiros do apocalipse, corrompendo a juventude com os seus vídeos sexuais pirateados. Tal tese baseia-se em vários equívocos. Para começar, desde o declínio de Atenas, na Antiguidade, os filósofos refilam contra a decadência cultural. A frustração deve-se a ideia ingénua de que a fama deveria ser proporcional à realização. Ora, devido à natureza do seu ofício, um actor talentoso será sempre mais famoso do que um contabilista talentoso. A fama é um produto de determinados sectores (sobretudo o do entretenimento em massa), não uma estrela dourada concedida pela Fada Azul àqueles que fazem jus a ela. Mas a indústria da fama de facto mudou.

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O advento dos media electrónicos e da alfabetização generalizada fertilizou o mercado das estrelas. Multiplicaram a velocidade e o volume das fofocas sobre as celebridades – assim como o número destas. Vultos como Platão, Madame Curie ou Churchill foram filtrados pelo tempo; as figuras efémeras que desfilam pela TV não o foram – AINDA.

Também temos os nossos Nelson Mandela, Philip Roth, Stephen Hawkings. E as épocas passadas igualmente possuíram imensas Paris Hilton – só que já foram relegadas ao merecido esquecimento… Aliás, a própria Paris fez uma observação sagaz e quase tocante: 'Acho que nunca houve alguém como eu que tivesse durado…' Mais: os VIP modernos satisfazem a necessidade universal de contos de fadas (pobres que enriquecem) e de punição da soberba (falências de magnatas, detenções de colunáveis por embriaguez, etc). E convenhamos: até um voyeurismo reles como o do ‘Big Brother’ é mais civilizado do que assistir a pessoas a serem devoradas por leões…

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