Não foi um debate entre dois candidatos presidenciais que esperam ser eleitos. Mas, entre estes dois homens que correm para ocupar tempo de antena e segurar as hostes, aconteceu uma excelente oportunidade para se perceber as grandes diferenças de pensamento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista. Uma oportunidade única, muito bem aproveitada por Louçã.
O líder do Bloco foi esmagador na economia – e explicou a Jerónimo como “a sensatez implica dizer que Portugal não tinha espaço para não aderir ao Euro”, o que havia sido defendido pelo comunista; claro na Europa – onde Louçã, confesso “europeísta”, já está com a intenção de “vencer a mesquinhez neoliberal” e Jerónimo só consegue dizer que defende “outra Europa (!)”; generoso no aborto – dossiê em que Louçã é pelo referendo, ao lado do PS, e Jerónimo queria decidir tudo com a “maioria de esquerda” existente no Parlamento, embora ambos tenham o mesmo objectivo: a legalização; linear na condenação da política económica chinesa – matéria em que o PCP tem uma posição que ignora a falta dos direitos dos trabalhadores chineses; etc., etc., etc.
Mas a grande rasteira estava para vir na alocução final. Louçã invocou João Amaral e Lino Carvalho, obviamente procurando entrar por algum eleitorado comunista. Nesse minuto falou na “Esquerda não sectária” e Jerónimo só pôde protestar lá fora com a expressão “oportunismo político”.
A diferença entre o Bloco e o PCP não é tão profunda quanto aquela que vai de Jerónimo a Louçã. Mas esta vai contar muito nos próximos anos. E ontem viu-se.
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