Sensibilizados certamente pelo aumento de pessoas que "batem à porta das instituições da Igreja", os bispos reunidos na CEP, através do seu porta--voz, padre Manuel Morujão, endureceram as críticas quanto à "ditadura económica do capital", chegando a responsabilizar os "paraísos fiscais" pela existência dos "infernos de pobreza e injustiça". E na referida Mensagem a CEP, activada pelo Concílio Vaticano II, exprime o receio de que "obscuros jogos do capital" possam fazer desaparecer "a própria democracia". É neste quadro negro que os bispos afirmam que "nem podemos abster-nos da vida democrática, nem podemos cair nas mãos de novos senhores sem rosto". Finalmente, a CEP ressuscita os "valores e princípios fundamentais da doutrina social da Igreja". Neste contexto, é uma substantiva crítica ao neoliberalismo.
Com efeito, a destruição e o caos que os mercados financeiros têm produzido nos últimos tempos começam a inquietar outras instituições como as igrejas, e não só a católica. Ainda há poucos dias o anglicano arcebispo de Cantuária condenou veementemente a insensibilidade da City perante os protestos dos indignados e ofendidos.
Pena que os bispos portugueses se tenham envolvido preventivamente na guerra dos feriados. Bem sei que o novo ministro dos cultos, o inefável Álvaro, quer deixar o seu nome no calendário suprimindo quatro. Como sempre, não sabe como fazê-lo. Foi D. José Policarpo quem ensinou o Governo a desencadear o processo de negociações com a Santa Sé. Para este Governo tudo é diplomacia económica, mesmo a dos feriados.
Numa troca desigual, o episcopado oferece dois dias festivos se o Estado não comemorar duas datas históricas. Curiosamente, foi esta a proposta feita na AR pelas deputadas Rosário Carneiro e Teresa Venda. Porém, o dogma romano da Imaculada Conceição dificulta anular o 1º de Dezembro da coroação. E quem hierarquiza os feriados civis? Só vejo o 1º de Janeiro à mão. Entrar a trabalhar no primeiro dia do ano seria todo um programa…
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