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Originário da China, o chá era conhecido há 2700 anos antes de Cristo. Passou para o Japão e para a Índia e, na primeira metade do século XVIII, já era uma bebida popular na Holanda, Inglaterra e colónias americanas.

Quando a Rainha Catarina, filha de D. João IV, Rei de Portugal, que iniciou o reinado da dinastia dos Bragança, arrumava a sua bagagem para Londres, para o seu encontro com Carlos lI, com quem casava, lá incluiu o serviço fino de preparação e bebida do chá, assim instalando o hábito do chá na Corte Inglesa. Hábito que vai ser afirmado e estendido no século XVIII.

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O chá teve um papel político importante na formação dos E.U.A, constituindo, em 1773, o primeiro acto da guerra da Independência travada pelos colonos americanos contra a Inglaterra. O motivo foi a aprovação pela Coroa Inglesa de novas medidas alfandegárias para a importação do chá (‘Lei do Chá’), que eram consideradas discriminatórias em relação aos portos americanos, o que feriu profundamente os colonos, que se sentiram traídos pela mãe-pátria.

Naquela época, Dezembro de 1773, o chá era o terceiro produto de importação nas colónias americanas, depois de tecidos e produtos manufacturados. O boicote do chá inglês foi organizado e houve o histórico incidente do assalto de patriotas americanos a três navios com cargas de chá, em Boston, as quais foram saqueadas e lançadas ao mar, facto que se repetiu em várias outras cidades americanas.

O chá teve, pois, um papel simbólico, de motivar o primeiro acto de guerra da Independência das colónias americanas.

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Desde que foi descoberto, até ao início do século XVII, o chá permaneceu desconhecido no Ocidente e quase que exclusivo apanágio da China. Timidamente expandiu-se para os limites do país: a Coreia, o Tibete, o Japão foram dos primeiros a conhecê-lo fora da China.

Responsável pela forte presença do chá, durante o século XIX, nos E.U.A e Inglaterra, foi ‘sir’ Thomas Lipton, que construiu um verdadeiro império para disseminação comercial do chá e criou mesmo tipos de consumo que ainda hoje têm seu nome de ‘Chá de Lipton’. A Rainha Vitória, da Inglaterra, titulou-o ‘sir’.

Com o tempo, o chá penetrou em força na Índia, onde a espécie chamada Darjeeling adquiriu grande fama pelas suas qualidades. E também no Ceilão (hoje Sri Lanka), Turquia, Bangladesh, Malásia, Vietname, Indonésia e Taiwan.

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Perto de 40 países produzem actualmente dois milhões e meio de toneladas de chá anualmente. A Índia encontra-se à frente dos produtores, com 750 mil toneladas, de longe o primeiro produtor, seguindo-se a China, com 600 mil toneladas e o Ceilão com 250 mil toneladas. O chá é produzido na América do Sul, principalmente no Brasil, Argentina e Equador, mas também na Ásia Central e Médio Oriente.

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