Seminário estratégico multinacional em Lisboa: um banqueiro marroquino afirma que o terrorismo o preocupa mais do que o crédito.
Aniversário, também em Lisboa, de uma instituição de mérito social, a Fundação Aga Khan. Palavras de paz do responsável português. Oportunidade pa-ra ser mais conhecida a obra ismaelita, a comunidade xiita em Lisboa, a face normal e humana do Islão. Depois das libações, um diplomata veterano diz-me: “Hoje abri o jornal e só há notícias sobre violência política e terrorismo. A quem lê por alto, parece que está tudo ligado.”
E passa a exemplificar-me.
Alertas na República Checa, Austrália, Indonésia e Marrocos. Atentados na Argélia. Grupos salafistas regressam à Mauritânia. Cadeia de atentados no sul da Tailândia. Atentados no Iraque e no Afeganistão. “Conspiração dos médicos” em Londres. Bombistas suicidas no Waziristão, depois do fim da Mesquita Vermelha. Pelo menos dois vídeos do número dois da al-Qaeda. Aí se promete vingança “específica” aos ingleses, por causa do sacrílego Rushdie. Aí se apela à destruição dos regimes árabes e islâmicos “apóstatas”, por todo o Mundo.
Há alguma linha que cose isto tudo, mesmo para quem não se limite a ‘ler por alto’? Não e sim.
Não, porque as circunstâncias de cada caso são, evidentemente, diferentes.
Sim, porque há, no outro ‘Islão’, uma espécie de ideologia grassante. Diz que os muçulmanos do globo são o novo proletariado: humanidade em negativo, explorada, escorraçada, oprimida, morta. Esta procura o seu Marx colectivo, o seu Lenine. E, se calhar, já encontrou o seu Trotsky, o seu Mao, o seu Pol Pot. O seu Estaline.
As alegadas ‘vítimas da fome’ tornam-se carne para canhão nos planos de ‘combate global’ de visionários sinistros. Estes aproveitam os erros e omissões alheios, a cegueira e a estupidez, o monopólio e o vácuo, as presenças abusivas e a ausência negligente, para fazer crescer a semente do ódio, disfarçada de resistência à injustiça.
Eis a mão que embala o berço.
CENAS DOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS
O quarteto de paz para o Médio Oriente vem a Lisboa. Tony Blair é investido, Condoleezza Rice visita, pela primeira vez, os Jerónimos. Em Estocolmo, o Hamas e a Fatah encontraram-se, discretamente, e dir-nos-ão as conclusões. O enviado especial de Khadafi entusiasma-se com o papel de Portugal e promete apoios curiosos. Putin promete que chega, no fim de Outubro, a explicar o que é a nova política externa russa e a suspensão do tratado CFE.
O rectângulo agita-se. Mas não são só rosas.
TEMPOS DE SINAIS
Por toda a Europa do Sul, tradicionalmente cristianíssima, avança o secularismo, na política e na sociedade. A Igreja Católica torna-se uma espécie de minoria. Ou voz pregando no deserto. As preocupações da Conferência Episcopal são mais uma prova deste caminho difícil. Mas não há outro. A esperança é a de que a verdade, no turbilhão dos dias, venha sempre à tona.
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