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O algodão não engana, basta passá-lo pela montra do PSD para se perceber que em seis meses Luís Filipe Menezes esborratou as paredes de vidro do maior partido da Oposição com tal frequência e acutilância que o algodão nem sequer desliza. É quase uma parede opaca. Ou seja, de fora vê-se um pouco e pressente-se o burburinho que vai lá dentro. Luís Filipe Menezes chegou a uma casa com as fundações abaladas e, sem projecto nem talento político, iniciou uma política ziguezagueante, sem norte, que causou o pânico em todas as hostes.

Quando foi eleito eram já em grande número os cépticos que não acreditavam nas suas capacidades para retirar o PSD da crise, devolver-lhe o prestígio de um partido de poder e organizar a batalha para vencer Sócrates nas próximas eleições. Foram tantas e tão contraditórias as decisões que tomou que ao fim de seis meses é um homem isolado sem nenhuma hipótese de federar o partido à sua volta. A sua última diatribe foi mudar a imagem PSD, colocando o azul no lugar do laranja. Luís Filipe Menezes demitiu-se quando percebeu que o cerco era de tal ordem que já quase não havia oxigénio no quartel-general. Morrer sufocado não era propriamente agradável para um líder que sonhava ser primeiro-ministro. E no limite dos limites aí temos a demissão de Luís Filipe Menezes e a decisão de convocar eleições directas para daqui a um mês. Um tempo curto, mas ainda em condições para impor no terreno um outro candidato com capacidade para unir o partido e disputar eleições no próximo ano.

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Os primeiros sinais desta lufada de ar fresco, que entrou pelas janelas abertas do partido de Sá Carneiro, é um bom augúrio. Aguiar-Branco foi o primeiro, com algum recato, a exprimir disponibilidade para se candidatar à liderança do partido. Pedro Passos Coelho, em menos de 24 horas, formalizou mesmo a sua candidatura. E finalmente o PSD acordou de norte a sul do País. Agora é para valer. É a hora das grandes figuras do PSD avançarem. Marcelo Rebelo de Sousa, Rui Rio, Manuela Ferreira Leite e António Borges… As próximas horas serão naturalmente de muitos contactos. Os telemóveis vão ferver e os encontros vão suceder-se hora a hora, provavelmente até segunda-feira. Todos os nomes que, num ápice, apareceram em cena são pessoas sensatas, responsáveis, com grande capital político. A nata do PSD para constituir uma séria alternativa de Governo.

Não são todos iguais, embora sejam todos precisos. Manuela Ferreira Leite reúne condições especiais para unir o partido e para enfrentar Sócrates. A sua ligação muito próxima ao Presidente da República é um handicap mas nunca será um obstáculo. É a melhor aposta do PSD. O segundo nome a ter em conta é o de António Borges. Militante de várias décadas, uma personalidade invulgarmente competente e carismática, com uma visão muito ajustada e própria do País, da Europa e do Mundo. Nunca foi político ‘profissional’ e os seus adversários consideram que esse é o seu ‘calcanhar de Aquiles’. Eu julgo que essa é uma das suas maiores vantagens. ‘Não está contaminado’ pela política à portuguesa (no que ela tem de mais desanimador).

Na entrevista a Judite de Sousa mostrou estar à altura da discussão de todos os temas e de ter um olhar moderno da vida e da política nos dias que correm. O PSD tem de mostrar capacidade para unir todo o partido mas tem também de exibir novidade, trazer novas soluções para os problemas do País. O PSD não pode falhar mais uma vez. Manuela Ferreira Leite e António Borges n.º 2. Ou o inverso. Sem menosprezo para ninguém. Esta é a hora.

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