Até João XXIII, formavam esse colégio eleitoral cerca de 80 purpurados. O "Papa do sorriso" alargou o número de participantes nos consistórios – as reuniões dos cardeais – para os 120. Paulo VI limitou depois o direito de participação nos conclaves aos cardeais com menos de 80 anos.
Até 1946, os bispos que recebiam o chapéu cardinalício provinham quase todos do contexto europeu – e mais de metade eram italianos. Com Pio XII, começou a diminuir o peso dos cardeais europeus e italianos. Durante o seu pontificado, dos 56 bispos que promoveu a essa dignidade, apenas 14 eram italianos e 20 provinham de fora da Europa.
Os pontífices que lhe sucederam seguiram a mesma tendência, alterando a configuração do Colégio Cardinalício. Mesmo assim, o próximo Conclave continuará a ser muito eurocêntrico, com mais de metade dos cardeais do ‘Velho Continente’, dos quais um terço são italianos. Apesar de já não terem o peso do passado, de uma análise superficial que tivesse em consideração somente a sua proveniência, poder-se-ia retirar a conclusão, rápida, de que o próximo sucessor de Pedro será europeu e, provavelmente, italiano. Há outros fatores, porém, que poderão influenciar as decisões dos eleitores.
Na eleição de João Paulo II, parece ter pesado a opção de escolher alguém do outro lado da cortina de ferro para abalar os regimes comunistas. A história terá dado razão a essa opção. Já a escolha de João XXIII não terá correspondido ao que se pretendia: esperava-se que fosse um "Papa de transição", após o longo Pontificado de Pio XII, mas este veio a revelar-se um homem aberto à modernidade. Ao convocar o Concílio, lançou uma profunda renovação da Igreja, que ainda está por cumprir.
É nestas surpresas históricas que, à luz da fé, podemos ler a ação do Espírito Santo. Ele poderá surpreender-nos de novo na eleição do próximo Papa.
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