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Já ninguém se ilude perante o quadro que o futuro nos reserva. A aprovação do PEC, que tem tudo de crise e nada de crescimento, confirma o pacote de austeridade que a todos vai abranger durante vários anos. Embora Teixeira dos Santos se tenha esforçado por transmitir a ideia de que não seriam necessárias novas medidas para controlar o défice, um membro do Conselho de Governadores do BCE afirmou o contrário, não escondendo que Portugal necessitará de adoptar disposições adicionais para que o PEC adquira realmente credibilidade. Razão tem Bagão Félix ao afirmar que a aprovação do famigerado PEC serviu apenas para os mercados verem. Para os de-sempregados que se amontoam, para os jovens que saem das universidades e enfrentam as angústias do mercado, para os reformados com parcas pensões, para os empresários aflitos com problemas de competitividade e para os trabalhadores que se interrogam quanto ao seu emprego, os tempos estão mesmo para ansiolíticos e antidepressivos.

Resolvem pouco mas aliviam alguma coisa à medida que vamos empobrecendo, sempre guiados pela batuta de governantes que, de crise em crise, nos pedem mais e mais sacrifícios. Para muitos deles, a obtenção das receitas para tais medicamentos revela-se cada vez mais difícil. A fuga de médicos para a reforma não conhece abrandamento. Há uns dias, calculava-se que a deserção não fosse além dos 500 desde o início do ano. Soube-se agora que esse número cresceu para 600, aumentando para 600 mil os portugueses que poderão ficar sem médico de família. São tudo sinais de que optimismo e crença no futuro não abundam.

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O País sofre as consequências de anos e anos de políticas erróneas e eleitoralistas que a demagogia e a propaganda agravaram. É espantoso, neste contexto, verificar como há políticos que persistem na ilusão. Sintomático o esforço do líder parlamentar do PS para demonstrar que as concessões que os socialistas tiveram de fazer ao PSD para garantir a sua abstenção no PEC correspondiam a alterações ligeiras. Como se ligeiros fossem os adiamentos do TGV, do novo aeroporto de Lisboa, da terceira travessia do Tejo... Enfim, malhas que a crise e o irrealismo tecem, numa altura em que a Comunidade Europeia aceitou definir um plano de apoio à Grécia, em que Portugal deveria ter os olhos postos. A Alemanha não foi em cantigas e ditou as regras: mesmo que haja empréstimos bilaterais envolvendo os diversos países, o FMI é peça-chave. E Portugal sabe bem o que isso significa. Já muito ansiolítico se consumia na altura em que o Fundo por cá andou...

Observação: não merecem comentário afirmações a meu respeito feitas por alguém que é colunista deste jornal e dá pelo nome de Emídio Rangel. A ele aplica-se bem o velho ditado "Os cães ladram e a caravana passa...".

SOLTAS

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CIRCO VENEZUELANO

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, parece o dono de um circo que só quer animais amestrados. Há dias, mandou prender o presidente da TV Globovisión por "ofensa e vilipêndio" e por protestar contra a perseguição à Imprensa. Cá ainda não se conseguiu ir tão longe.

PARABÉNS, NANI

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O jogador renovou o seu contrato com o Manchester United até 2014. Tornou-se uma peça fundamental da equipa e, à medida que amadurece, a qualidade do seu futebol melhora. Um valor seguro para o Mundial.

POE: UMA VIDA ABREVIADA

Notável o trabalho de Peter Ackroid sobre Edgar Allan Poe, aquele que "foi um órfão perpétuo no mundo". A ansiedade insaciável e a melancolia desesperada que sempre o acompanharam, em menos de 200 páginas que não cansam.

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NOTAS (Escala de 0 a 20 )

11 - HERMÍNIO LOUREIRO

O pedido de demissão revela consciência limpa. De facto, não se percebe como suspensões de 3 e 4 meses se transformam em 3 e 4 jogos. Alguém que se revolte.

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10 - MANUELA FERREIRA LEITE

Na hora da saída, viabilizou o PEC, em nome do interesse nacional. No PSD, prometeu muito, deixou pouco – mas fica, pelo menos, a firmeza de carácter.

9 - MARTIM A. FIGUEIREDO

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O seu jornal ‘i’ vive uma fase complicada, sendo mais um exemplo de quão difícil é a sobrevivência da Imprensa em Portugal. A qualidade nem sempre compensa.

9 - LULA DA SILVA

A multa do Tribunal Eleitoral, por fazer propaganda antecipada pela pré-candidata do PT à Presidência, arranha mas não afecta o eterno estado de graça que o Brasil lhe atribuiu.

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