Aparentemente, algo iria mudar, e o comportamento dos EUA iria ser diferente. Dir-se-ia que iriam formalmente apoiar o lado dos revoltosos contra o regime do Presidente Bashar-Al-Assad.
Quem perceber assim a realidade engana-se, como enganados estão os que traçaram aquela linha de delimitação entre o aceitável e o não aceitável. Qualquer guerra é um horror para quem a sofre. Morrer pelo fogo de armas ligeiras, pesadas, mísseis ou armas químicas é sempre morrer. O que moralmente deve contar não é tanto a forma como se morre, mas o facto de se ser morto. A fronteira a estabelecer não deve pois ser considerada em termos de armas utilizadas, mas antes entre a vida e a morte. É certo que existem Tratados Internacionais que interditam algumas práticas na guerra, entre as quais o uso de armas químicas, bacteriológicas ou nucleares. Se se considerar que a moral se sobrepõe e antecede a política, a questão decisiva está na efetivação de guerra em detrimento da promoção da paz. Acresce que, mesmo assim, se os EUA também franquearem uma etapa, e participassem no conflito ao lado dos adversários do regime sírio, estriam quase seguramente do mesmo lado da barricada da Al-Qaeda e seus aliados na região. Que ironia, ver os EUA junto aos herdeiros de Osama Bin Laden.
Isso e mais que isso, que este pequeno espaço não permite explicar, leva-me a pensar que os fundos para a continuação do conflito continuarão a fluir de algumas Monarquias do Golfo; as armas mais sofisticadas serão fornecidas pela Rússia, ou compradas com aqueles fundos a países hostis àquele regime; os combatentes virão do Mundo islâmico, seja ele do sul do Líbano, do centro do Iraque, ou, mais longe, a leste deste país. Esta guerra nunca verá um empenhamento direto e expresso das grandes potências, antes será operada por outros, cada um deles com as suas lealdades políticas expressas. A Síria, essa, será progressivamente destruída até à sua perca de vitalidade. Talvez quando as armas acabarem o conflito se suspenda. Digo suspenda e não cesse, porque as raízes da guerra, essas, não acabarão tão cedo.
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