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Na TV passa tudo: o cómico e o trágico, o sublime e o ridículo, a estupidez e a sagacidade. Eis – só para variar – um mostruário audiovisual da semana.

1) Gorgolejaram nos canais lusos imagens épicas que qualquer Oposição do Mundo teria pedido a Deus: cem mil refilões na rua, dos calcanhares ao cocuruto do País, vociferando cobras & lagartos contra o Governo. No dia seguinte, o que é que o ‘Maior Partido da Oposição’ faz? Pela enésima vez, lava a roupa suja na praça pública, por causa daquilo que – aos olhos dos eleitores – não passam de birras, picuinhas e chinesices bizantinas. Sócrates esfrega as mãos e sorri para os seus botões: “Com inimigos assim, quem precisa de amigos?” Como a luta no PSD é intestina, talvez fosse aconselhável um laxante. Ou, já que se falou em ‘purga’, um purgante.

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2) Na Sport TV, depois da jornada da Liga dos Campeões, um comentador residente foi convidado a analisar… um jogo que não tinha visto. Ele deixou clara lacuna, mas não se fez de esquisito – até pontificou. No dia seguinte, outro comentador e outro jogo – e mais do mesmo exercício de imaginação. Só visto – ou melhor, adivinhado.

3) O presidente da Venezuela retirou do ar a emissora privada mais antiga do país. Em compensação, Hugo Chávez criou o seu próprio canal, onde semanalmente vende o seu peixe. Na última emissão, pediu um minuto de silêncio pelo narco-terrorista morto pelo exército da Colômbia, cujo governo legítimo as FARC sabotam há anos, com sequestros de civis (nacionais e importados) e tráfico de drogas.

4) Na SIC: “Como Ronaldo não pode jogar, quem deu espectáculo no Manchester foi o português Nani”. Curiosamente, no resumo dos melhores momentos do jogo Nani não deu o ar da sua graça nem uma vez.

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5) Reportagem da semana: a do Biograph Channel, sobre Ben Chapman, que morreu há 15 dias. A carreira dele resumiu-se a um filme: ‘O Monstro da Lagoa Negra’, de 1954, no qual passava o tempo todo dentro da monstruosa fatiota de borracha. A cara não aparecia nunca (até os olhos eram da máscara), e não dizia um ai. Mas o seu porte fez do bicharoco um dos monstros mais elegantes do cinema – e o filme, que virou clássico, é o que Marilyn Monroe acabou de ver antes que o vento do Metro lhe levantasse o vestido em ‘O Pecado Mora ao Lado’. Pelos 54 anos seguintes, Chapman viveu de aparições em eventos ao pé de piscinas – os seus 15 minutos de fama duraram uma vida inteira.

6) TV Globo e Record, Dia Internacional da Mulher. O presidente do Brasil, Lula da Silva: “A minha mãe era uma mulher que nasceu analfabeta”. Bem, a minha nasceu analfabeta, careca, virgem e desdentada.

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