Partilhar

Na pedofilia o que está em causa é uma questão de poder, do forte contra o fraco, do pervertido contra o inocente, da anormalidade adulta de quem se excita com uma criança contra gente de outro tamanho. Neste âmbito, vem ganhando peso uma corrente que não aceita que um adulto que abusa de uma criança é um doente, na medida em que um doente, por princípio, é alguém que sofre na pele do mal que provoca. Outros, sustentam que o que há é uma doença (e de difícil tratamento) e acreditam na possibilidade de uma modificação substantiva dessas vidas, pelo que apostam numa mudança.

A propósito do tratamento, registe-se que é possível constituir grupos de risco, dado que há crianças que são vítimas de maus tratos na infância e que podem vir a ser potenciais pedófilos quando adultos; mais, os pedófilos "mistos" – os que têm relações com crianças e com adultos, ao invés dos "puros", cujas relações se ficam pelas crianças – têm muito melhor prognóstico, logo, vale a pena investir neles. Por isso, desde 1996, no Estado da Califórnia, em resultado de uma emenda ao Código Penal qualquer pessoa condenada pela primeira vez por ofensas sexuais a vítimas menores de 13 anos, pode ser indicada para tratamento em liberdade condicional, a iniciar antes da saída; a condenação por duas ofensas deste tipo torna esse tratamento obrigatório. O Estado de Alabama ensaia também legislação que permite aos abusadores de crianças serem quimicamente castrados.

Pub

A castração química apoia-se na administração/injecção de hormonas femininas, que diminuem os níveis de testosteronas, uma hormona sexual masculina que tem efeitos sobre a actividade sexual e sobre a agressividade. Ao diminuir a testosterona no sangue o indivíduo passa a ter menos libido, menos (ou nenhum) desejo sexual e, simultaneamente, menos impulsos agressivos. Acontece que a castração química não é definitiva, pelo que, cessando esta hormonoterapia há o risco de recaída. A castração cirúrgica (remoção dos testículos), que ainda se pratica em certos países, com o consentimento do próprio, nunca foi efectuada entre nós, onde tal procedimento legal seria impossível. Entre nós, não há muitos meses, num programa televisivo nacional, uma advogada brandia a sua moral através da obrigatoriedade de "marcação" do pedófilo pela comunidade e da inscrição de um sinal apropriado de "aviso" nas respectivas casas, à boa maneira hitleriana. E quase em simultâneo, a magistrada Dulce viu premiada a sua verborreia sobre a castração, tida por necessária à transformação do pedófilo em vegetal (como se ao assaltante de bancos a sentença a aplicar passasse pela amputação dos braços)! Como se alguém saído de situação de prisão preventiva, pudesse, mesmo que temporariamente, reposicionar o "fundamental"!

Ora, bolas, não havendo quem "trate" também dos oportunistas, Portugal continuará a ser uma criança indefesa.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar