As reacções às palavras do Papa na Universidade de Reitensburg foram exemplares. Recordemos que o Papa citou as seguintes palavras do imperador bizantino Manuel II (séc XVI), dirigindo-se a um interlocutor Persa: “Mostra-me, então, o que Maomé trouxe de novo. Não encontrarás se não coisas demoníacas e desumanas, tal como o mandamento de defender pela espada a fé que ele pregava.”
É exagerado? Diríamos que sim. Mas os próprios líderes religiosos islâmicos extremistas se encarregaram de nos fazer mudar de opinião. O Papa, afinal, citou sábias e actuais palavras. Não tem de se desculpar. Promover a convivência de religiões não obriga a exercícios de hipocrisia. Venham, ou não, alguns espíritos mais inquietos da sua cúria e da grande família católica obrigá-lo a fazer uma espécie de retractação.
O que está em causa é a história da cultura guerreira do Islão com a permanente e actual incitação à violência de quase todos os seus mais notórios líderes religiosos. É por culpa deles que o Mundo olha hoje para a grande nação islâmica como uma horda de potenciais fanáticos terroristas, sedentos de vingança. Iguais aos seus piores agressores.
E este não é um problema de religiões, mas de meia dúzia de perturbados personagens. Muito gostariam esses líderes islâmicos de ‘comprar’ uma guerra de religiões, seu petisco predilecto. Mas vão acabar a falar sozinhos. Como gostariam de envolver a Igreja Católica na perturbada realidade política e militar dos nossos dias. De a tornar igual a eles.
Lá (como por cá aconteceu durante séculos), os textos sagrados não servem para sublimar a religiosidade. Esse exercício interior, permanente, singular e único de relacionamento do homem com a grandeza do todo de que faz parte e das interrogações a que não sabe dar resposta. Servem apenas para mascarar os seus verdadeiros desígnios, que são políticos e militares. E mais nada.
E por isso gostariam de ver a Igreja Católica regredir aos tempos de todas as cumplicidades com o poder político. Não lhes chegam Bush e Blair como inimigos. Do ponto de vista do apuramento da religiosidade, do refinamento intelectual da relação do homem com a Verdade Absoluta e Última (que dispensa religiões e igrejas), os líderes islâmicos que pregam a violência continuam na idade das trevas. E, tão cedo, não o entenderão. A questão é que sem o nome de Alá os líderes islâmicos não seriam senão criminosos de direito comum.
Que os líderes religiosos (políticos ) islâmicos tenham reagido como reagiram, era inevitável. Estes líderes político-religiosos, sempre atentos, agradecem a Bento XVI o pretexto. Invectivando-o, mas, gratos.
O pior veio do mundo Ocidental. Não Islâmico. Todas as castas de fariseus, disfarçados de doutores, teólogos, filósofos e pensadores, crentes e agnósticos, saltaram do seu canto e exibiram-nos as mais requintadas fraquezas caldeadas com alguma hipocrisia. Omitindo sempre o essencial. O Papa não ofendeu ninguém. Foi, sim, gravemente ofendido por todos quantos no ‘lado de cá’, católicos ou não, não tiveram a coragem de dizer que, como se demonstrou, o imperador Manuel II era sábio e que as suas palavras são mais actuais do que nunca. Sem disfarces. Nem medos.
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