Transvestida de "investigação", visou lançar lama sobre Cavaco Silva, suspeitas sobre as suas atribuições de condecorações e principalmente pressionar a atribuição do Colar da Ordem de Cristo ao "comentador" da própria RTP, José Sócrates, pelo seu lindo serviço à pátria como primeiro-ministro.
Como poeira para os olhos, falava de condecorações atribuídas por presidentes anteriores, sem interesse nacional, mas sugeria que Cavaco condecorou um agricultor por este lhe ter oferecido há um ano um almoço e uma instituição social algarvia por ter sido visitada há dois anos por Maria Cavaco Silva. As imagens a preto e branco sugeriam opacidade nas escolhas presidenciais, identificadas como "coincidências".
A reportagem não pôs em causa qualquer das centenas de condecorações nacionais atribuídas por Eanes, Soares e Sampaio. Apenas as de Cavaco, para se concentrar no seu único objectivo: servir Sócrates.
A reportagem ignorou que Sampaio não condecorou Santana Lopes e que a Ordem de Cristo foi atribuída a Durão Barroso por Sampaio antes de ele ter chegado a primeiro--ministro. Para condenar Cavaco e pressioná-lo a condecorar Sócrates, a reportagem disse a respeito deste: "A justiça que falta a um primeiro-ministro." Felgueiras e a sua equipa exprimem assim a opinião de que é uma "injustiça" Sócrates não ter a Ordem de Cristo. Ao serviço dos interesses de Sócrates, a reportagem não indicou que Cavaco ainda tem mais de dois anos para atribuir a condecoração a Sócrates, se estiver para aí virado; não referiu que Sócrates já tem outra condecoração, atribuída por Sampaio; só ouviu opiniões favoráveis a Sócrates; não permitiu esclarecer se Sócrates, como primeiro-ministro e pelo que fez a Cavaco (e não se conhece publicamente senão a ponta do véu), merece qualquer condecoração deste mundo.
A desinformação da reportagem relacionou a ausência da Ordem de Cristo a Sócrates pelas críticas que este faz a Cavaco na própria RTP, interpretação abusiva por não ser factual; inventou que as condecorações dadas por Cavaco (não as dos outros presidentes) são "polémicas", quando foi a própria reportagem a inventar essa "polémica" em repetidos rodapés. A "reportagem" foi depois resumida, para ter destaque nos noticiários. Felizmente sem pressão governamental passista, a RTP de Luís Marinho, Paulo Ferreira e Sandra Felgueiras continua socratinista.
A VER VAMOS
A MULTIDÃO, A TELEVISÃO E A INTERNET: O MUNDO NOVO NASCE NO BRASIL
No Brasil, a multidão abraça a TV e a TV abraça a multidão. Têm de viver juntas. A TV sistémica começou por sobrevalorizar a esporádica violência minoritária, desprezando um movimento popular que cristaliza sentimentos de milhões, até agora reprimidos, contra a corrupção, nepotismo e desprezo pelos pobres pelas elites de direita e esquerda. Mas a TV, em democracia, não pode ignorar milhões, porque são as suas audiências. A Globo suspendeu futebol e novelas para mostrar as manifes! Em parte, a TV já perdeu o povo-audiência, pois já passa sem ela: impressiona o dinamismo de conteúdos livres, na Internet, de movimentos sociais e cidadãos. O espaço público da rua completa-se no ecrã público. Nada será como antes.
JÁ AGORA
FERNANDO PESSOA: BELA REPORTAGEM
A reportagem de Maria José Garrido (TVI) sobre Fernando Pessoa ancorou-se nos depoimentos dos pessoanos Teresa Rita Lopes e Richard Zenith, garantindo à partida o selo de qualidade. Mas não só: usou com invenção recursos visuais, incluiu versos paradigmáticos de Pessoa, visitou os seus lugares, traçou a biografia. Real serviço público. Escolas, aproveitem!
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt