A BBC pediu desculpas à Isabel II, por revelar que a rainha passou-se numa sessão de fotos com Annie Leibovitz, a fotógrafa dos VIP. Esta sugeriu à monarca que tirasse a coroa, pois “os trajes que está a vestir são tão…” Antes que Annie concluísse, Isabel II lançou-lhe um olhar glacial, apontou para as roupas da fotógrafa e rugiu: “De mau gosto!” Eu disse BBC? Falemos da TV-Estado. Vamos aos factos, esses chatos. Em Portugal, os canais privados achataram o nível de uma parte da programação. Mas os ‘reality shows’ foram um fenómeno universal – e os telejornais melhoraram (calculem como eram dantes).
Na TV2, o busílis é económico. Ninguém engole mais a treta de que as TV estatais não precisam de ser vistas, e sim outorgar cidadania. A audiência da TV2 é uma caganita de mosca. Qual o sentido de prodigalizar cultura e formosura a uns gatos--pingados, financiados pelos outros 10 milhões de filistinos? Populismo? Não. É imperioso justificar o nexo entre o dinheiro público investido, o número de beneficiários e os estratos sociais. É injusto apaparicar a classe A com trufas, às custas dos contribuintes da B, C e D. Ok, o problema é o povo – mas, como não se pode trocar de povo, o jeito é outra via.
Já a RTP 1... França e Itália têm redes de TV não-educativas, que competem com as privadas numa grelha ecléctica. Na Itália, são divididas pelos partidos, como ministérios – mas nenhuma obedece caninamente ao Governo. Na França, são sobretudo cabides de emprego (aliás, os funcionários públicos são os maridos ideais: voltam cedo e descansados para casa, e já leram o jornal. E sabem que nunca devem tomar uma bica depois do almoço, pois tira o sono à tarde). A BBC é uma emissora estatal mas não governamental, com o orçamento pago voluntariamente pelos cidadãos. É subordinada a um grupo de 12 pessoas – aprovadas pelo Parlamento – que indicam o director da emissora. Mesmo assim, há palermices. Nos anos 30, Churchill (fora do Governo) foi censurado, por pregar a guerra contra Hitler. E, imediatamente após o 11 de Setembro, Stephen Jukes, o chefe de Jornalismo, zurrou: “Aqueles que para uns são terroristas, para outros são combatentes da liberdade!”
Enfim, o dilema da TV é: cultura ou culturismo? Catastrofismo meu? O tanas. Posso ter os meus defeitos, mas errar não é um deles.
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