Partilhar

Uma boa relação investigador-menor é, geralmente, facilitada a partir de um início "permissivo", de perguntas que não supõem agressividade. Este procedimento permite, num segundo momento, que a criança "conte". Finalmente, devem utilizar-se palavras e expressões próprias, nomeadamente aquelas com que a criança designa graus de parentesco (por vezes artificiais) ou locais de abuso, partes do corpo específicas (órgãos sexuais) e, em certos casos extremos, as acções devem ser ilustradas a partir de simbologias e produtos similares (caricatura/fotografia, farinha/sémen/ tinta/sangue, etc..). Um profissional treinado (não confundir com um simples "procurador"), questiona as crianças através de desenhos ou de "ajudas" (bonecas). E durante a entrevista com as crianças que apresentam um profundo bloqueio emocional, ou pouca idade, é conveniente a utilização de bonecos anatómicos, que referenciam os "pontos" sexuais nítidos.

Através deles o menor é levado a mostrar – com a nossa ajuda e através de perguntas abertas ou específicas (sem orientar o depoimento) – o tipo de locais tocados, as posições provocadas, etc. É desejável, portanto, que os investigadores usem questões não dirigidas, evitem choques e mantenham uma abordagem do tipo "e mais", ou "e depois o que aconteceu". Numa altura em que se fala muito de "entrevistas para memória futura", defendo que, desde o início do inquérito (fase crucial da investigação) e atenta a qualidade moral e mental dos entrevistados menores, os testemunhos passem a ser registados em áudio ou vídeo, documentando-se, assim, o "modo" das perguntas e o "tempo" das respostas. Não se pode é correr o risco de deixar que se aproveite esta "diligência" para fazer desaparecer todo o restante material probatório (Cascais, Oeiras, Deneuve), ainda que, na altura, não directamente relacionado com o caso em si, e que envolve nomes, locais, práticas, que as vítimas acharam por bem carrear para os autos.

Pub

(Quarto e penúltimo artigo que o CM publica esta semana sobre a investigação do abuso sexual de crianças)

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar