Os países não traem porque não estão vinculados por afetos mas por contratos e interesses. As putativas traições dos EUA aos aliados são, por isso, como um casamento que sofre percalços mas não acaba em divórcio porque a perda para ambos seria excessiva.
A roupa suja que Snowden pôs à vista de todos é a ponta do icebergue dos segredos embaraçosos que nenhum país revela e prova que as relações internacionais não são histórias de amor, são bacanais. Cada um troca de parceiro consoante os desejos (interesses) do momento e os prazeres (benefícios) que espera conseguir.
No meio deste jogo pouco edificante, mas profundamente prazenteiro, os espiões são as alcoviteiras desmancha-prazeres. O seu jogo é casar e descasar, é intrigar e difamar, é, numa palavra, servir os interesses dos levianos senhores que lhes pagam o serviço.
Obama vigiou Merkel? Grande coisa! Não é traição e não vai dar divórcio, mas o ‘arrufo’ pode sair-nos caro.
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