A história, no fundo, não é muito diferente da de tantos outros treinadores corridos à má fila de outros tantos clubes, a começar pelo FC Porto. Nem sequer se pode dizer que a novidade esteja naquilo que alguns acham que é apenas um erro do perspicacíssimo presidente azul e branco, coisa raríssima em tão sagaz criatura. Não é verdade: só na última década, o dito cujo enganou-se para aí na contratação de 40 jogadores e quatro ou cinco treinadores que foram uns fracassos ou nunca ‘deram’ nada no clube. Pelos vistos, a memória de algumas pessoas é que é curta.
Novidade, novidade, neste ‘caso’ do sr. Neri, é a forma como foi corrido. De facto, não tem precedentes – falam-me de um ‘affaire’ idêntico no Burundi, mas não consegui confirmar –, um treinador com o currículo do italiano, pessoal e directamente escolhido pelo ‘homem forte’ do clube, ser despedido antes mesmo de pôr os pés nos balneários do clube que o contratou! Mas esta espécie de despedimento ‘avant la lettre’ oferece outras curiosidades, a menor das quais não será a de, após os quase dois meses da pré-época em que esteve a trabalhar no clube, sob os mais rasgados elogios de dirigentes e jogadores (Reinaldo Teles chegou a dizer que “até parecia que Del Neri estava no FC Porto há três anos”, calculo que os últimos dois na ‘pele’ de Mourinho), o mesmo FC Porto não lhe querer agora pagar um cêntimo de indemnização! Sem sequer invocar uma “justa causa”. Diz aquela entidade patronal que o homem foi contratado “à experiência” e, como acontece agora em todos os contratos a termo certo, com o novo Código do Trabalho do Dr. Bagão Félix, que até é do Benfica, durante os primeiros seis meses não há nada para ninguém!
Tenho visto por aí alguns assalariados a baterem palmas à ‘sagaz’ descoberta do presidente do FC Porto. Se fosse ao sr. Víctor Fernández, punha as barbas de molho. Por mim – patrões são patrões, e o resto é conversa – fico muito preocupado…
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