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Durão Barroso será o novo presidente da Comissão Europeia. Essa é a boa notícia. Para ele, que estava a afundar--se nas contradições de uma política sem consistência nem coerência e corria o risco de seguir o trajecto de António Guterres, quase enxotado da vida política activa, é uma saída airosa de um Governo que se encontra, claramente, em desagregação, não obstante o benefício da dúvida atribuído à ‘defesa-central’ Manuel Ferreira Leite, cuja segurança, nos seus primeiros passes e, sobretudo, nos primeiros cortes, transmitiram aos portugueses que essa escolha pelo ‘jogo defensivo’, mais do que uma necessidade, era a opção pelo ‘jogo útil’.

Ninguém consegue perceber a utilidade de Paulo Portas, ministro da Defesa, na acção ofensiva. Ele atrapalha-se com a bola, não é capaz de uma arrancada para a baliza do adversário, os submarinos não marcam golos. Portas faz lembrar aqueles jogadores extremamente toscos que têm sempre o benefício dos treinadores ninguém percebe as razões. Talvez ele seja o dono da bola oferecida por Cardona. Até ele já é o primeiro a pôr em causa o efeito da coligação naquela expressão típica do futebol em que todos atacam e todos defendem.

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Agora, depois de há muito se ter perdido o fio de jogo, é tudo ao molho e fé em Deus. Um dos ‘jogadores’ mais carismáticos da equipa (governamental) parece querer mudar para o seu clube de origem. Estas fusões entre partidos fazem lembrar as coligações entre o Alverca e o Benfica; o Estoril e o Benfica; o Sporting e o FC Porto (no passado); o FC Porto e o Belenenses (com as flores depositadas sobre o mausoléu do Pepe); o FC Porto e o Portimonense (noutros tempos) – uma ‘satelização’ que nunca é genuína, decorre sempre de interesses maiores ou menores mas que, com o tempo, se dissolve como a aspirina.

O partido do Governo prometeu que ia ganhar o campeonato da retoma e não tem conseguido, como a selecção nacional, melhorar a equipa. As substituições são importantes, mas quando os resultados se tornam evidentes. A política governamental não é comparável a um jogo de futebol, mas tem muito características de campeonato. Quando se insiste no erro, como Scolari teve o bom senso de não insistir, os resultados não aparecem. Durão Barroso queixou--se demasiado do futebol inócuo do seu principal antagonista que equipava (e equipa de cor de rosa) e da sua acção destrutiva. Mas o partido do governo ainda não percebeu que tem de se regenerar por dentro, sob pena de perder a confiança da sua massa associativa, que aliás já começou a perder. De resto, o seu principal adversário está longe de ser uma equipa de Ferro. Não é um conjunto solidário, forte, competitivo, capaz de exibições absolutamente eloquentes. Aliás, o resultado das Europeias, em Portugal e na Europa, provam que os cidadãos estão fartos desta forma fácil e demagógica de fazer política. Tal como a ‘fast food’, que só faz mal à saúde, a ‘fast politics’ também não é saudável para um conceito de política para os cidadãos que tem de ser urgentemente mudada. Não está aqui a defesa de nenhuma força partidária em especial, porque o problema é global e muito preocupante, sobretudo depois da assunção da Europa dos 25, que resulta numa responsabilidade acrescida, neste caso para Durão Barroso.

A má notícia é que Durão Barroso está disposto a entregar o Governo a Santana para a nova liderança. Há adjuntos que só se realizam em ajudar, longe dos holofotes da fama, mas Santana é assim. Gosta de saltar de galho até chegar à copa da árvore. Até há bem pouco tempo Santana era olhado como um ‘playboy’ com grande verve de tribuno. As alternativas são pífias, é verdade. Balão de oxigénio? Este País de facto está a melhorar. Um dias destes ainda veremos o Zezé Camarinha noticiar, para a BBC, que Portugal ganhou o Euro’2004, conquistou a Cimeira Europeia e Santana Lopes chegou a Belém.

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Meu caro presidente da República: mesmo considerando que os mandatos são para cumprir, este país, em apenas aparente agregação por causa de uma bola, não precisaria de eleições antecipadas?

Nota - No texto antes do Portugal-Inglaterra fiz uma espécie de prece: ‘God Save Durão!’. Obrigado, Deus. Nossa Senhora de Caravaggio não faria melhor.

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