Durante todo o Verão, o Ministério da Saúde foi a imagem viva dos nossos serviços de Urgência. Ou seja, o desnorte total. Começa por não existir nenhum plano de contingência para o Verão, que coloque mais profissionais de Saúde nas zonas que multiplicam a população na época estival. O Algarve, por exemplo, quintuplica a população.
Entretanto, confrontada com a falta de médicos no SNS, surge na cabeça da ministra uma ideia que teve a exacta duração de um dia: exigir que os médicos escolhessem entre a dedicação exclusiva ao público ou ao privado. Sucede que no privado os médicos ganham muitíssimo mais, pelo que, sem alteração das condições de trabalho dos médicos no sector público, a fuga massiva seria mais do que certa.
Posta de lado a "ideia da exclusividade", a ministra não encontrou alternativas a não ser deixar que os hospitais contratem médicos para as Urgências em empresas de recursos humanos. Como nestas empresas se paga à hora, o Estado chega a pagar 2500 euros por um turno de 24 horas, o que é mais do que o salário base dos médicos do SNS num mês inteiro!
Mais. Estamos desde 2006 à espera que se proceda à generalização da prescrição dos medicamentos pelo princípio activo e não pelo nome comercial, o que permitiria a cada utente escolher aquele que mais se adequa à sua carteira.
Tambémsemcumprimento está a promessa de dispensa de medicamentos em dose individual, o que permitiria ao doente só comprar a dose certa e necessária para a cura e não uma caixa sobredimensionada. E a vacina contra o cancro do colo do útero? Desde Janeiro que faz parte do Plano Nacional de Vacinação. Já alguém a recebeu? Está em concurso… Não é novidade que a Saúde é o nosso bem mais precioso. O que é, isso sim, novidade, é um Governo que actue com tamanha irresponsabilidade e inércia perante este valor. Vá lá, senhora ministra: ligue para o Dói-Dói Trim-Trim.
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