Nascido numa zona populosa, mas pobre, do Porto, o Salgueiros tinha uma massa associativa aguerrida e fiel, formada por gente simples, trabalhadores e operários da zona e um velhinho campo de jogos (com o piso em erva), o Estádio Eng. Vidal Pinheiro. Uma espécie de anti-Boavista, criado e apoiado por gente influente, mas sem adeptos. Ficou famosa uma assembleia do clube em que um modesto e habitualmente silencioso associado pediu a palavra ao presidente da mesa e desatou a falar: “Eu, nascido e criado nas ervas velhinhas do campo Eng. Vidal Pinheiro…” Uma voz lá de trás, em jeito de gozo, comentou a tirada: “Então és grilo!” O orador foi curto e grosso: “Grilo é a p… que o pariu! Tenho dito, senhor presidente!” E ninguém lhe arrancou mais uma palavra. Apesar da sua origem modesta, o Salgueiros não era um clube qualquer. Com uma presença na Taça UEFA (1991/92), 70 em provas oficiais internas, das quais 24 na SuperLiga, duas vezes campeão nacional da II Divisão e um estilo e uma entrega ao jogo celebrizados em epítetos famosos, como o da ‘alma salgueirista’, o clube de Vidal Pinheiro é hoje um moribundo que, depois de descer aos infernos, abandonou todas as competições, excepto as de algumas camadas jovens.
Um moribundo a quem os matadores recusam, já não digo uma oportunidade, mas a graça de uma morte tranquila. Sem gente influente que o defenda, o Salgueiros agoniza entre processos por dívidas ao Fisco, à Liga, a terceiros. Mas, pior do que isso, entre acções judiciais que envolvem gente dos clubes, autarcas, empreiteiros e milhões em negociatas de terrenos. Um dia destes conto a história com nomes e tudo…
PS. – O ‘patrão’ dos árbitros, Vítor Pereira, diz agora que estes vão ser profissionalizados “mas que isso não os impedirá de exercerem outras profissões”. Assim mesmo? Sugiro as de empresário de futebol, director desportivo de clubes, assessor de Pinto da Costa...
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