Partilhar

Cheguei hoje ao Cairo, onde a simpatia por certas posições da equipa Bush é, se calhar, maior do que a gozada pelo presidente americano na sua própria casa. Na verdade, se o Senado seguir o exemplo da Câmara dos Representantes, Bush terá o Congresso americano contra si, em pontos cruciais de política externa.

Embora a Constituição de 1787 assegure a condução diplomática pela Casa Branca, a verdade é que o Parlamento bicamaral vota as propostas orçamentais, podendo controlar, ao menos de forma indirecta, muitos compromissos fora de fronteiras.

Pub

Por outras palavras, um presidente alienado do Congresso poderá ter poucos ‘dentes’ para cumprir a sua estratégia. E arcará com a carga simbólica de uma classe política descrente. O voto negativo dos representantes, acerca das ideias Bush para o Iraque, culminou uma semana em que tudo foi posto em causa, num hemiciclo inflamado, furioso e palavroso, desejoso de endereçar mensagens.

O plano da CIA para deter suspeitos de terrorismo é mau, as ‘intenções’ de Washington sobre o Irão são más, o plano de conduta em Bagdad é mau, a atitude no Médio Oriente é má e etc. Para o vozear oposicionista, pouco se salva.

Muito do barulho é uma pré-posição nas presidenciais, de que falámos há uma semana. O resto é um aviso, involuntário mas claro, aos amigos, e aos inimigos, de Washington: o gigante não se entende e começa a mostrá-lo.

Pub

Daí os receios de ‘aproveitamento’ do debate interno nos EUA.

Mas estas são as regras do ‘jogo democrático’. Não vale a pena chorar.

A Turquia condenou, a prisão perpétua, sete implicados nos actos de terror de 2003. Na Arábia Saudita e no Egipto, em Marrocos e na Jordânia, tem também havido condenações, desde 2001. Mas no mundo euro-americano os grupos que tomaram refém a política externa dos estados, desencadeando uma acção radical sem precedentes, têm sido pouco, ou nada, perseguidos em tribunal.

Pub

Isto acontece porque a prova é complicada, porque o terrorismo só se demonstra quando age, porque muitos implicados morrem, porque as ‘democracias’ podem fazer menos coisas do que os seus inimigos.

Mas também por isso é importante o julgamento de Madrid, com ou sem protestos de inocência pelos acusados. Torna-se vital provar à ‘opinião pública’ que esta luta não é o Quixote a investir contra moinhos.

O monstro existe mesmo.

Pub

A Rússia já não é uma monarquia, embora muitos críticos de Putin achem que sim. Estes pensam que o ex-agente secreto tornado estadista, à beira de deixar, visivelmente, as rédeas do país, nomeou ‘sucessor’.

Este seria o durável ministro da defesa, Sergei Ivanov, que cultivou amigos em vários regimes, da Inglaterra Blairista a Paulo Portas. Ivanov é agora vice-primeiro-ministro, e diz-se que olha o Kremlin como modo de vida.

Mas primeiro, claro, haverá eleições. Essa é a diferença em relação ao passado, cristão-imperial ou soviético.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar