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Amanhã a história repete-se. Os militantes do PSD, num ritual que começa a tornar-se monótono, vão escolher o novo líder. São 77 088. Um pequeno exército dividido que não sabe no que acreditar. É difícil saber o que é que realmente pode motivar o PSD na luta pelo poder que promete ir desencadear na fase que se segue.

Para que quererá ele o poder? Do Estado não gosta. Soluções para a crise não tem. Melhoras não promete. Corre atrás de quê ? Se o mundo da política partidária fosse um pouquinho mais parecido com o do espectáculo diríamos que houve nos sectores mais saudosistas do PSD um precipitado e imperdoável erro de casting. Porque, pelo que já fez, pelos apoios e elogios que granjeou (a Cavaco e ao PSD), pelo desapego a questões de ideologia, pelo estado em que o País se encontra e pela absoluta falta de fórmulas para nos tirar da cepa torta o melhor candidato para o PSD seria... José Sócrates.

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De calças e no activo e não de saias e em situação de pré-reforma. E assim irá continuar a ser. Neste ínterim, o PSD teve de se contentar com três veteranos e um júnior pouco rodado como estrelas prováveis para a nova época. Não é uma eleição. É uma rifa com prémios pouco aliciantes e que ninguém, convictamente, cobiça. O que se vai decidir não é a sobrevivência do PSD ou o seu caminho em direcção ao poder, porque este é o pior momento para tal afirmação. O que se vai decidir é se os militantes enterram, ou não, de vez o velho PSD de matriz Cavaquista com um discurso velho, gasto, fatalista e sem esperança, mas jesuítico quanto baste quando se lhe fala nos gravíssimos problemas sociais. O que se vai decidir é se o PSD quer rejuvenescer ou continuar a ser um parque jurássico da política caseira. Porque desde Cavaco Silva que tudo no PSD é demasiado velho, previsível, episódico e doentio.

Quando a principal ‘qualidade’ de um candidato é a determinação de policiar com os dentes cerrados a impiedosa execução de políticas restritivas e o programa pode resumir-se em duas palavras ("mais austeridade") algo está irrecuperavelmente podre. A eventual eleição da sacrificada porta-estandarte da velha guarda só é boa para o Cavaquismo decrépito que por aí se arrasta ainda, oferecendo-lhe mais uns meses para viver na doce ilusão de que não está ainda politicamente esgotado. Nada mais. A situação social do País com o empobrecimento a amaldiçoar as ambições de todos os carreiristas e inimigos do Estado e a pedir políticas mais ousadas, imaginativas e generosas fará o resto.

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