Há uma ‘overdose’ comunicacional à volta dos ‘Morangos’, da TVI, e há uma disseminação gritante de ‘Floribella’ pela antena da SIC, mas curiosamente é a RTP, nesta altura, que tem mais razões para rir – com resultados acima das melhores expectativas em muitos dias deste mês, ameaçando, até, não chegar ao segundo lugar, mas sim... ao primeiro. A eficácia da programação da RTP neste primeiro impacto pós-Verão é uma realidade. Não houve estreias, apenas regressos, e mesmo isso foi o suficiente para um salto nas audiências – pondo em sentido toda a concorrência e fazendo crer, inclusivamente, que a curva ascendente não ficará por aqui. Esperemos para ver.
Francisco Penim não está a vencer a aposta do ‘Jura’, porque ainda não conseguiu pôr a novela no mapa. O produto está longe de contribuir positivamente para os resultados globais do canal e, atirado para um horário – como dizer? – mais alternativo, tem agora a vida um bocado complicada. Mas Penim continua a morder os calcanhares à TVI. Fá-lo à custa da incansável ‘Floribella’ – mas há que desfazer uma ideia: a ‘Flor’ não murchou com o regresso das crianças às aulas e também não foi a estreia da nova edição dos ‘Morangos’ que abanou o fenómeno Luciana Abreu. Se murchará ou não quando chegar ‘Doce Fugitiva’ (ex- ‘Cachorra’), um produto para um ‘target’ mais semelhante, isso é o que falta saber. Esperemos para ver.
José Eduardo Moniz foi à apresentação do ‘Clube Morangos’ e passou a mensagem: ‘Sabemos o que queremos, mas não temos pressa. Temos, aliás, muita paciência.’ O que Moniz quer é muito fácil de perceber: tendo o ano ganho e, por aí, menos preocupação, o objectivo só pode ser crescer no ‘day time’ – onde, nesta altura, a TVI está com uma performance, diria, quase miserável. O horário nobre continua pujante (embora não tanto como há uns meses), mas a manhã e a tarde muito abaixo dos mínimos. Com tantas estreias para Setembro, o ‘day time’ vai necessariamente contar com diversas movimentações. E o caso pode mudar de figura. Esperemos para ver.
Nuno Santos está em alta. Se a SIC teve um Setembro em linha com os seus objectivos e a TVI, mesmo tendo ganho, não chegou ao valor que provavelmente desejaria, a RTP é que ficou, de certeza, acima do que poderiam ser as melhores expectativas. Longe vai o tempo em que, da opinião pública à concorrência, se dizia que a TV pública respirava artificialmente à conta do futebol. A RTP deve transmitir hoje menos de metade dos jogos que transmitia há poucos anos e, contra as ideias feitas, tem resultados muito mais satisfatórios. Mérito de quem apostou na diversidade e no bom gosto para reconciliar os portugueses com a ‘TV de Portugal’. Se pode ainda fazer melhor? Esperemos para ver.
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