O processo arrasta-se nos tribunais, advogados para aqui, advogados para acolá, mas notícias que dão conta de novos abusos continuam a ser dadas à estampa, segundo denúncias de pessoas que têm como função proteger as crianças.
Com tanta vigilância e com tantas acções de formação, há uma pergunta que se coloca: como é possível?...
... Como é possível tanta permissividade? A Casa Pia não merece melhor? A ‘caça’ aos pedófilos não deveria ser algo que mobilizasse a sociedade, os partidos, o Governo, a Procuradoria-Geral, a Presidência da República?
Os pais só se preocupam com os seus filhos ou nem isso?
A eclosão de novos abusos significa que, em Portugal, a Justiça perdeu toda a credibilidade. O processo Casa Pia não consegue colocar um travão, porque não inspira medo.
O mesmo se passa no futebol. Foi desencadeado o Apito Dourado. Uma ‘bomba’. Detenções, publicações de escutas telefónicas, um escândalo. Advogados para ali, advogados para acolá. O julgamento segue dentro de momentos depois de se ter assistido ao efeito de propagação das mais diversas manobras de diversão. O costume.
Têm agora um pouco mais de cuidado os principais intérpretes da bola indígena. A sensação que se colhe é que o tráfico de influências não perdeu a vergonha.
Ainda ontem a Lusa dava conta de uma situação de flagrante delito envolvendo dois árbitros da AF Viseu e dois dirigentes do SC Lamego. Pagamentos à vista. Corrupção.
Diz-se à boca pequena há muitos anos que, sem o escrutínio da comunicação social, a corrupção abunda nos escalões inferiores. Aliás, de algum modo, o Apito Dourado é a prova disso. Pergunta-se: quantos mais casos como este acontecem, sem que os protagonistas sejam apanhados?
Seria bom que os árbitros profissionais travestidos de amadores (é muito mais honesto reconhecer a situação de duplo emprego), em vez de olharem permanentemente para o seu umbigo, fossem mais claros em relação ao Apito Dourado. É incómodo? Têm medo? É melhor não se falar disso, como preconiza o árbitro Duarte Gomes?
A Liga deu extraordinárias condições aos árbitros. Que mais querem eles? Já têm quem os transporte, já se passeiam nos ginásios, são pagos generosamente por cada jogo que realizam. Só falta dar-lhes água de rosas.
Os árbitros ascenderam à condição de vedetas. Basta olhar para eles. Acham-se a última coca-cola do deserto. Querem ‘apitar’ (literalmente) o mais possível para ganhar o mais possível. Querem fazê-lo sem ruído, sem imagens e sem repetições. As únicas imagens que querem ver passar correspondem ao momento em que atiram a moeda ao ar e fazem aquele ‘número’ com os ‘capitães’ das equipas. Fica bem. Craques entre craques.
Os ‘senhores árbitros’, grandes estrelas, os Cristianos Ronaldos cá do burgo, acham que só têm direitos. Deveres? Isso é que era bom. No primeiro momento em que são penalizados, saem dos seus tratamentos de dermoestética para se confessarem vítimas do sistema! Coitadinhos. E ameaçam. E testam a coragem de Vítor Pereira.
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