Fernando Calado Rodrigues

Padre

Fé e pensamento

07 de dezembro de 2012 às 01:00
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É verdade que, em muitas circuns-tâncias, os crentes se comportaram dessa forma, acomodando-se às coisas da religião sem as contestar. Aceitaram uma tradição transmitida de pais para filhos e não se preocuparam minimamente em encontrar razões para acreditar. Esta, porém, não é a verdadeira fé.

Amanhã celebramos um dos últimos dogmas definidos pela Igreja: o da Imaculada Conceição. Foi há quase 160 anos que o Papa Pio XI o proclamou.

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Não foi uma imposição do papado aos fiéis. Mas foi uma vivência dos crentes que se impôs à Igreja. Séculos antes da proclamação dogmática da concepção da Virgem Maria sem mácula, já se acreditava e celebrava essa verdade.

A fé e a devoção à Imaculada desenvolveram-se a partir do século XIII, sendo os franciscanos os seus principais promotores. Tal como aconteceu com a Imaculada, também os outros dogmas se foram impondo à Igreja, que não se demitiu de os estudar e de procurar entendê-los melhor. Contudo, também ela reconheceu que jamais os poderá compreender perfeitamente e que nunca os conseguirá explicar e provar de uma forma puramente racional.

Maria, escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador, foi preservada do pecado, mas não foi dispensada de se interrogar nem de encontrar razões para a sua fé: é esta a perspectiva evangélica.

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Quando o Anjo lhe anuncia que vai ser a Mãe de Jesus, ela interroga-se: Como será isso possível? O Anjo responde que a Deus nada é impossível. Como sinal dessa omnipotência divina, comunica-lhe a gravidez da sua prima Isabel. Então Maria (mesmo continuando sem compreender plenamente a missão que lhe é confiada) dá o salto da fé e disponibiliza-se para ser a Escrava do Senhor. Maria torna-se, assim, um modelo para todos os cristãos. Como ela, também todos se deverão interrogar, reflectir e pôr mesmo em questão as suas crenças. Só assim poderão desenvolver uma fé mais consciente e consistente.

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