Até mesmo agora, na hora da morte de um deles, não escaparam a um processo sumário. A face mais arcaica da Igreja mostrou o seu desagrado e, durante o funeral, um cónego recusou celebrar a missa de corpo presente. Aconteceu há poucos dias na Basílica da Estrela, em Lisboa, não numa qualquer aldeia perdida. Esta é a mesma instituição que tem entre os seus quem condene relações de pessoas do mesmo sexo, enquanto, ao mesmo tempo, é capaz de encobrir práticas pedófilas dos seus sacerdotes.
Conhecido como a pessoa que inovou as marchas de Lisboa, Carlos Mendonça fala em comportamento homofóbico e diz-se ofendido. Perdeu o companheiro e, ao contrário de receber algum conforto, foi confrontado com a decisão irredutível de um eclesiástico. Daí à revolta foi um passo. A situação acabou por ser desbloqueada por um padre estrangeiro, que rezou um Pai-nosso e encomendou a alma do defunto. Somos todos filhos de Deus, defende a Igreja. Talvez, mas aqueles que sentem a discriminação acreditam serem guiados por um Deus menor.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt