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Enquanto isso, no Brasil… Bom, as duas maiores redes de TV do país engalfinharam-se num conflito em que não farão prisioneiros. Vale tudo (e sobretudo mais alguma coisa). Para se ter uma ideia do nível da refrega, há mais matéria fecal do que no actual imbróglio do BCP (cujo teor excrementício chegava para fertilizar o Sahara). A Globo (a quarta maior rede privada de TV do Mundo, a seguir às três americanas e a par da mexicana Televisa) regressa a grelha da TV Cabo após dois anos de ausência, quando foi vaporizada precisamente pela sua inimiga figadal, a Record. Só que a Globo volta pela porta dos fundos: implica uma assinatura à parte (canal 80), ao contrário da rival. Prometo retomar o assunto (que afecta directamente a TV em Portugal) em breve.

Hoje prefiro tagarelar sobre o pe-so-pesado da Globo: Jô Soares (JS). Em Portugal, a terra dos eufemismos, um obeso paquidérmico é descrito como “aquele rapaz forte” – como se banhas fossem músculos. Jô Soares assume o seu diâmetro género rolha de poço: “Sou tão gordo que quando acabo de engraxar os sapatos no barbeiro tenho de aceitar a palavra do engraxador.” Em 2008, JS celebra duas efemérides: meio século de carreira humorística (criou mais de 300 personagens) e duas décadas do seu talk show (com dez mil entrevistas realizadas). Mas Jô é um príncipe renascentista. Para não mencionar os seus romances best-sellers (um deles adaptado ao cinema, com Joaquim de Almeida no papel de Sherlock Holmes e Maria de Medeiros no de Sarah Bernhardt), está a lançar agora o CD ‘Remix em Pessoa’, no qual declama poemas de Fernando Pessoa ao som do hip-hop e do jazz.

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Dos 13 aos 18 anos, JS estudou num excelente colégio suíço. Daí que esgrima com os seus convidados em cinco idiomas – e diariamente. Hoje, penitencia-se por um lapso inicial: falar mais do que o próprio entrevistado. Em legítima defesa, evoca o caso do convidado que bocejou enquanto fazia uma revelação. O anfitrião não se conteve: “Se está a bocejar, então calcule o telespectador.” Política? Para JS o humorista deve ser um anarquista – mas apenas com bombas de efeito moral. Matéria não falta. “Todo o ser humano é cómico. Se o tipo que vai matar-se com a cabeça no forno reparasse que está na posição em que a Alemanha perdeu a guerra caía na gargalhada e desligava o gás.” Ao contrário das matrizes americanas (e do finado talk show de Herman José) que só entrevistam celebridades do audiovisual (pois não sabem falar de outra coisa), Jô interpela desde o prémio Nobel ao trolha anónimo (passando pelas celebridades audiovisuais). E é tão profissional que já tem o seu epitáfio prontinho: “Enfim, magro.” l

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