De vez em quando o caso Freeport hiberna, passa a tensão dos que têm os cordelinhos nas unhas e deixa-se arrefecer a investigação, sem qualquer explicação plausível. Outras vezes emerge como um vulcão em erupção, traz novos ingredientes, mas sempre, sempre o mesmo alvo – José Sócrates. Já houve dirigentes da PJ que foram punidos pelos tribunais e foram expulsos da instituição, já se forjaram cartas falsas em reuniões de pessoas ditas responsáveis, já se detectaram mãozinhas do PSD a mexerem neste caldo peçonhento.
A justiça, o mundo da justiça nas suas múltiplas vertentes, dá assim uma triste imagem de si própria, e continua a sua viagem, até onde não sei! O ‘sindicalista’ que representa os magistrados do Ministério Público troca mimos com a drª Cândida Almeida, procuradora-coordenadora do DCIAP, o procurador-geral da República promove reuniões para apaziguar os ânimos, o bastonário da Ordem dos Advogados, no seu estilo bem característico, vem a terreiro dizer (e eu estou com ele) que os magistrados do Ministério Público que se queixam de estar a sofrer pressões deviam ir plantar couves porque se relatam acontecimentos dessa natureza e isso os perturba a esse ponto, é porque não usam os poderes amplos que têm para pôr na ordem os atrevidos. Um mistério que eu carrego e que ninguém descodificou, é a razão pela qual tendo havido já um processo Freeport, ele permanece quase incógnito.
Dá-me ideia que muitas das coisas que hoje metem na engrenagem para alimentar o monstro têm conexão directa com esse processo. Escrevem-se longas parangonas moralistas e o assunto continua sem ser esclarecido. Umas das coisas que me causa mais horror na vida é a tentativa de destruição (sem acusação, sem culpa formada, sem julgamento) de uma pessoa, qualquer que ela seja, à conta da acção objectiva e consciente de grupos que pretendem tirar dividendos políticos. É uma verdadeira lástima. Posso enganar-me, mas aposto com quem quiser, singelo contra dobrado, como José Sócrates é inocente e nunca teve nada a ver com o caso Freeport.
Se assim for, como é minha convicção profunda, eu espero que a justiça tenha a mão pesada para aqueles que não se importam de ‘condenar’ um inocente e deixam correr o tempo porque este é um ano de eleições. Malditos sejam.
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