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Não vale a pena sequer adicionar outros casos que ilustram a tese e que acabam sempre por ir bater à porta do dispositivo judicial que os políticos, certamente não por acaso, foram edificando. Dependências, cumplicidades e faltas de transparência não só já não passam despercebidas ao País como são discutidas às claras nos cafés, em rodas de amigos ou em simples conversas de rua, pois já a ninguém escapa as incidências dos acontecimentos que a Comunicação Social vai expondo. À falta de vergonha, juntam-se a hipocrisia e a dissimulação.

O que se passa com os ataques ao Presidente da República, a propósito, agora, da promulgação da lei das uniões de facto e, antes, a pretexto da lei dos casamentos de pessoas do mesmo sexo é bem exemplo do oportunismo hipócrita que inspira a actuação de alguns sectores e personalidades. Há gente da direita em Portugal que, a coberto dos chamados valores católicos, mais não faz do que trazer para a luz do dia o conservadorismo e o reaccionarismo que formatam o seu pensamento e os seus actos. Não sou dos que consideram que um e outro diploma constituem prioridades para o País e não escondo o entendimento de que a iniciativa de os lançar e fazer aprovar no Parlamento não deixou de ser uma importante cortina de fumo para as fragilidades da governação. É, no entanto, confrangedor ouvir personalidades cujas vidas estão longe de representar exemplos de respeito pelos princípios e ideais católicos argumentar a favor de um candidato de direita alternativo a Cavaco Silva. Sinceramente, para quê ?

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O ESCUDO DO FORMALISMO

Dito isto, quero que fique claro que, quanto a mim, o actual Presidente se tem refugiado no conforto do formalismo do cargo para se furtar a um papel mais interventivo. A situação da economia, o drama dos desempregados, o encerramento precipitado de 700 escolas e a situação na Justiça justificariam uma maior visibilidade do Chefe de Estado. Deliberadamente, não o tem feito, em nome da boa convivência institucional. A meu ver, mal. Os escândalos da Justiça, em particular, exigiam uma atitude diferente das palavras de circunstância que, num acto público, se permitiu libertar. Em altura de total perda de confiança no sistema, conhecer o pensamento do Presidente, mais do que uma obrigação, é uma exigência. A frontalidade que exibiu, por ocasião do problema criado com o estatuto dos Açores, já deveria ter reaparecido muitas vezes. A cumplicidade do silêncio é muito grave.

O CONDENADO QUEIROZ

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O cúmulo da hipocrisia que nos cerca veio esta semana do mundo do futebol. A punição de Queiroz, seguida dos processos que se anunciam, deixam antever um único caminho: a saída do seleccionador. É um episódio revelador da falta de coragem e frontalidade dos dirigentes federativos. Sem mais.

COITADA DA QUALIDADE

Não vou discutir os méritos ou deméritos da decisão política de encerrar 700 escolas, mas o Ministério da Educação, uma vez mais, pressionado pelos custos, esteve mal.

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Quem se preocupa com a qualidade do ensino não age precipitada e atabalhoadamente, a um mês do início das aulas.

PINTO DA COSTA DESESTABILIZADOR

Grande começo de época. É o primeiro a rir, até pela desestabilização que reina nos adversários. Mantém intactas as estratégias de outros tempos e que lhe deram tanto poder no nosso futebol. A proposta que terá chegado a fazer sobre Salvio, quando já se dava como certa a ida para a Luz, é exemplo claro.

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O TESTE NÃO DEMORA

As audiências da TVI registam quebras significativas. É, sobretudo, na Informação que os números são muito maus. Daqui a semanas, quando forem lançados o novo reality show e a novela de Rui Vilhena, aí sim, se saberá se SIC e RTP têm razões para sorrir. A co-produção da SIC com a Globo pode influenciar.

NOTAS (Escala de 0 a 20)

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JORGE COSTA: 14

A vitória da Académica frente a um Benfica irreconhecível constitui um dos marcos deste período em que, além do futebol, pouco ou nada trouxe brilho a este País depauperado.

BARACK OBAMA: 12

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Cumpriu a promessa. O grosso das tropas americanas deixou o Iraque. Para trás fica um país devastado, onde a violência impera e um poder sem força não permite antever nada de bom.

JOSÉ SÓCRATES: 8

O aumento da despesa, colmatado com poupanças passadas, demonstra o que já se sabia: este Governo tem uma enorme dificuldade em estancar as despesas do Estado.

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PAULO SÉRGIO: 6

Péssimo arranque para o Sporting. Era impossível fazer pior frente ao Brondby. É um Agosto de brasa para a equipa de Alvalade que se arrisca, agora, seriamente, a ver a Europa por um canudo.

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