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No romance injustamente esquecido ‘Eu Abaixo Assinado’, João de Deus Pinheiro retrata com ironia e conhecimento de causa os heroicos tempos dos emergentes jovens juristas e economistas de província deslumbrados pela luxúria do poder e dinheiro frescos. É uma visão obrigatória do caldo de cultura que deu origem ao BPN e à sensação de facilidade que hoje os moralistas tardios designam por termos vivido acima das nossas possibilidades.

Se Cavaco foi o patrono dos novos ricos, Passos é diferente e tem sido de um retumbante sucesso a criar novos pobres.

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Quadros ingloriamente qualificados prontos a libertar-nos do fatalismo do analfabetismo são as principais vítimas do martírio da classe média. São os enfermeiros que formamos às centenas para os hospitais ingleses, os engenheiros a ganhar salários nacionais para fazer obras em teatros de guerra civil como o Iraque ou a Colômbia e agora a tragédia dos milhares de professores que esta semana foram para as filas dos Centros de Emprego.

Para além da sensibilidade de chumbo com que se fala do destroçar de vidas como um óbvio corte em despesa inútil, o que é irrecuperável é a sensação de que o investimento em formação não valeu a pena. A ascensão social tem por modelos o Big Brother, futebol e Universidade de Verão.

Tal como na Turquia ou no Brasil, está a fermentar o caldeirão da revolta da classe média. O desprezo pela educação e a ligeireza como se considera lastro dispensável o pessoal docente representam um retrocesso de décadas. Salazar reduziu para três anos a escolaridade. Passos olha a formação como um adereço para exibição social como a licenciatura de Relvas

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O horror à inteligência marcou os piores tempos do século passado, a poupança na universalização do conhecimento é o maior atentado à igualdade. Estes também são pobres de espírito. As revoluções do tempo do Facebook não são proletárias, são o grito de revolta dos filhos da igualdade urbana a quem é roubada a esperança no futuro. O outono de Passos está a chegar...

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