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Os ingleses, que fazem da língua uma enxada eficaz (só para o tempo reservam a conversa barata), chamam àqueles que dão opinião nos jornais “opinion makers”. Isto é, fazedores de opinião. De facto, uma coisa é escrever nos jornais, outra, aquilo que se escreve ocasionar filhotes. Dar opinião qualquer bitaiteiro pode fazê-lo; ser escutado e seguido, isso é para os “opinion makers.” Vasco Pulido Valente, que agora escreve no ‘Público’, é um dos nossos raros fazedores de opinião. Amargo como o raio, a gente desconta isso. É muito lido, muito comentado, temido, seguido. No canto esquerdo, com X quilos (poucos, apesar de longo), Vasco Pulido Valente, o Amargo.

Clara Ferreira Alves é uma cronista. A sua caneta pousa caprichosamente no que entende e, numa semana (esta, por exemplo, no ‘Expresso’), escreve sobre o mais célebre romance de Truman Capote. Outra semana pode tê-la dedicado à perda do seu cartão VIP da TAP. É uma presunçosa assumida, o que é útil para quem se inspira tão bem na boa escrita, sobretudo anglo-saxónica, que o Mundo nos vai trazendo. É muito lida, comentada, muito odiada, copiada. No canto direito, com Y quilos (ainda menos que X, porque baixinha), Clara Ferreira Alves, a Caprichosa.

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O Amargo e a Caprichosa conheciam-se bem, julguei saber em tempos. Fiquei a saber que Vasco Pulido Valente (VPV) é com ela, agora, mais amargo do que costuma ser com qualquer Presidente da I República. Para quem não entenda a comparação lembro que VPV não passa perto de António José de Almeida porque suspeita que nem mesmo a pedra é de pau e a estátua poderia querer vingar-se das bordoadas que ele deu aos velhos republicanos. Bom, desta vez, foi à Clara (CFA). Escreveu VPV sobre CFA, no seu blogue ‘O Espectro’, no fim-de-semana passado: “A hipotética ‘dra.’ Clara Ferreira Alves (chegou com dificuldade ao actual 12.º ano...)”

Sobre esse texto do blogue, informou ontem o ‘Expresso’, CFA vai processar VPV. Como eu disse nos dois primeiros parágrafos desta crónica, temos um combate entre o Amargo e a Caprichosa. Eu sei que os tribunais precisam do seu tempo e hei-de interessar-me sobre o que o juiz decidirá, lá para 2008, 2009, neste diferendo CFA versus VPV.

Entretanto, acho que já passou demasiado tempo (uma semana) sem que ninguém me respondesse de forma clara e valente a duas questões. 1) VPV diz que CFA não é formada em Direito? 2) CFA confirma, como tantas vezes tem aparecido escrito sobre ela e ela nunca negou, que é licenciada em Direito? Duas perguntinhas que nenhum jornal fez aos dois contendores. E para os quais qualquer deles tem certamente um ‘sim’ ou um ‘não’ que resolveria as dúvidas (não, não são só minhas: na caixa do correio do texto de VPV havia ontem 212 comentários de leitores).

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Eu sei que há problemas mais importantes (gripe das aves, Iraque...) mas também mais difíceis de resolver. Neste, há duas simples perguntas a fazer que pedem exclusivamente duas curtinhas respostas. Até à semana passada, que CFA fosse ou não jurista deixava-me indiferente, nela só me interessava a sua boa (para a média nacional em jornais: óptima) escrita. Mas se alguém como VPV sugere que CFA é factualmente coisa diferente do que ela se tem apresentado gostaria de ter a dúvida rapidamente resolvida. Obrigado.

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