Há dias conversava com um distinto profissional de televisão, que entrou para a RTP nos seus primórdios.
Lamentei-me por não existir actualmente um bom programa sobre criminalidade, transmitido no horário nobre.
Já tivemos o ‘Casos de Polícia’, conduzido com grande categoria por Conceição Lino. Tenho imensa pena que tenha desaparecido.
Júlia Pinheiro oferece-nos um interessante programa, mas completamente fora de horas.
O ‘Bombástico’ tornou-se problemático e houve reacções muito negativas.
No Brasil, esta temática é objecto de muito interesse. O ‘Cidade Alerta’, da TV Record, é um êxito e tem qualidade.
O britânico ‘Crime Watch’ é outro caso de sucesso.
Recentemente, neste último programa, foi relatado um caso curiosíssimo. A burlona, uma esperta inglesa, ainda não foi apanhada. Provavelmente, nunca o será. Rapidamente fez fortuna e deixou a actividade.
É uma loira de meia idade, muito bem arranjada.
No Aeroporto de Heathrow, apanhava um avião com destino a uma grande cidade europeia: Paris, Roma, Florença, Viena, Frankfurt…
Aproximava-se da montra de uma prestigiada joalharia. Fotografava o anel mais valioso. Imediatamente, mandava executar uma réplica em material barato, utilizado em bijutaria.
Depois, a senhora instalava-se num dos melhores hotéis: Ritz, Hilton, Westin ou Hyatt.
Efectuava uma chamada telefónica para a joalharia e mostrava-se interessada em fazer umas compras. Mas pedia que o gerente do estabelecimento comercial lhe telefonasse de volta para o hotel, a fim de marcar uma hora para o atendimento. Assim, ficavam a saber que ela estava realmente alojada naquela unidade hoteleira.
Um pouco antes da hora marcada, fazia-se transportar numa limousine do hotel.
A elegante madame chegava em grande estilo à joalharia.
Pretendia sempre dar a ideia de ser pessoa abastada.
Era atendida com a máxima das atenções.
Dizia pretender adquirir um anel.
Quando confrontada com aquele que ela tinha fotografado, mostrava-se particularmente interessada. Experimentava-o várias vezes. Estendia a mão e admirava-o. Perguntava a opinião do empregado.
Dava-se então o grande momento do golpe.
A senhora retirava o anel do dedo e simulava ter vontade de tossir. Levava a mão direita à boca e engolia o cachucho. Ao mesmo tempo, pigarreava.
Unindo as duas mãos, passava para o lado direito a réplica que previamente mandara executar. Colocava-a no lugar onde estivera o original.
Continuava a demonstrar interesse pela peça. Dizia que o mais provável era vir a adquiri-lo. Mas iria visitar outras lojas.
Nunca mais dava sinal de vida.
Dias depois, recuperava o preciso anel no penico.
Só muito mais tarde os empregados da joalharia se apercebiam da troca.
Durante mais de um ano, a inglesa loira aplicou este golpe em diversas cidades.
Entretanto, desapareceu de circulação.
Como usava nomes falsos nos hotéis, nunca foi capturada.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt