Fernando Calado Rodrigues

Padre

O banco do Vaticano

05 de julho de 2013 às 01:00
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O IOR começa a desenhar-se nos finais do século XIX. A Santa Sé decide criar uma instituição própria para administrar os seus bens monetários e cria a Comissão para as Obras Pias. Depois da assinatura do Tratado de Latrão, entre a Itália e a Santa Sé, que reconhece o Estado do Vaticano e resolve a "Questão Romana", são entregues a essa comissão 750 milhões de liras como indemnização pela expropriação de inúmeros bens imóveis. Durante o Pontificado de Pio XII, a 27 de junho de 1942, recebe o nome atual, mantendo a sua principal finalidade: investir e rentabilizar o dinheiro do Vaticano para ser utilizado, sobretudo, para apoiar as "obras religiosas".

Desde os seus inícios que o banco do Vaticano está envolvido em escândalos. A confidencialidade, que nesta instituição é levada ao extremo, se, em algumas circunstâncias, tem permitido a determinadas organizações católicas salvaguardar os seus bens, também facilitou, noutras, a sujeitos menos honestos, um meio eficaz para fugir aos impostos e lavar dinheiro de negócios sujos.

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Embora todos os Papas tenham tentado reformar e recentrar o IOR na sua finalidade primordial, é com os dois últimos que se tem notado uma maior determinação, de que são sinal os escândalos que têm vindo a público. Bento XVI iniciou um caminho de credibilização do IOR e empenhou-se em introduzir no IOR as diretivas internacionais para combater a lavagem de dinheiro e a fuga aos impostos. O Papa Francisco está a dar continuidade ao trabalho do seu antecessor. Os escândalos revelam, também, que a atitude da Santa Sé tem vindo a mudar, como acontece em outros âmbitos, por exemplo a pedofilia no seu seio. Enquanto no passado se dificultava o acesso às autoridades judiciais, hoje coopera-se com elas.

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