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O crime daqueles pais tem muito a ver com a cultura a que tiveram acesso e que puderam absorver. E que fez com que os filhos, que estudam e vão à Igreja, ajudem também um pouco a ganhar o sustento, porque, como diziam na aldeia, crime é deixar morrer à fome, seja o homem, seja o cão. E por isso aquele casal também tem os pais – inválidos – na sua modesta habitação, quando muitos que vivem nas cidades já os teriam internado em qualquer sítio.

Há uma certa grandeza na forma como aquela família passa as suas dificuldades e há, muitas vezes, um outro sentido para as coisas, porque as leis nem sempre descrevem fielmente a realidade.

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A democracia, com toda a panóplia de instrumentos para conhecer ao detalhe a vida de toda a gente, não devia permitir tantas dificuldades àqueles pais que, em boa verdade, cresceram já depois do 25 de Abril.

Mas vivemos num País que afinal são dois, e há um interior – que nem é tão interior como isso, neste caso – onde faltam ainda bens de primeira necessidade. Um País a que não chega o peixe nem o ensinamento para o saber pescar. Mas o verdadeiro crime não é as crianças serem chamadas a coser umas solas; o crime é a falta de ajuda àqueles pais.

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