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O avançado foi tão rápido a hipotecar a época desportiva - a sua e da equipa - como antes marcava golos. Sobressai ainda um facto: é notável a forma como se desbarata a confiança de um grupo campeão. Parece mentira, mas este Sporting ganhou o último campeonato nacional.

É inegável que poucos clubes resistiriam a três baixas de peso no ataque, como as do brasileiro, a de JVP e ainda de Sá Pinto. No entanto, os dirigentes sportinguistas assistiram com passividade a este rombo. Um mês antes do arranque da Super Liga já se previa a desgraça. Sabia-se, cheirava-se, conhecia-se.

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E o que aconteceu? Nada. As expectativas de uma equipa campeã ficaram reduzidas a pó e as cadeiras de Alvalade quase vazias. Os 10 mil espectadores do último jogo em casa (Varzim) são o sinal dos tempos.

Por uma vez, houve contenção de despesas nas contratações. O contraste com o que ficou para trás é absoluto: durante anos e anos ouviu-se falar de investimentos (mesmo quando era dinheiro desperdiçado) mas agora a "gestão rigorosa" aliou-se à penúria assumida.

Com o Sp. Braga, as substituições feitas por Bölöni quando já perdia por 4-2 são paradigmáticas: entraram Ricardo Fernandes (24 anos), Carlos Martins (20) e Cristiano Ronaldo (17). Os sportinguistas devem ter empalidecido e até mudado para um canal mais adulto.

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Mas o recado subliminar do treinador à direcção do clube é evidente: o banco é, na realidade, um jardim-escola e não há jogadores para mais.

Talvez quando Jardel perder a voz de sedativo, alguma coisa seja ainda recuperável. Talvez. Para já, sobra o oitavo lugar, três jogos consecutivos sem ganhar e o saldo de nove golos sofridos - mais de um terço do total da época passada (25) -, além das evidentes saudades de André Cruz e Phil Babb.

Antigamente, faziam-se limpezas de balneário quando os futebolistas tinham mau carácter ou hábitos de lupanar. Foi assim que Artur Jorge dizimou o último Benfica vencedor (1993-94). Hoje, em Alvalade, o bloco-notas de Bölöni é apenas um êxito literário; porque no relvado a cartilha táctica só obedece à contabilidade.

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A regra é emagrecer e vender (Hugo Viana) para, um dia, voltar a engordar. Como sempre, o meio termo é uma ilusão. Por isso, em Braga faltavam cinco titulares da equipa de 2001-2002. Esperava-se, talvez, o efeito Jardel, mas, por agora, destaca-se apenas o defeito Jardel.

Jardel. Começam e acabam aqui as expectativas leoninas, mas o campeonato continua. À 5.ª jornada o campeão perdeu, o vice-campeão (Boavista) caiu em P. Ferreira e o ex-líder (Benfica) sofreu a primeira derrota da época. Foi uma ronda em grande para o FC Porto: saltou para a frente da SuperLiga, é a única equipa que ainda não perdeu e é a que menos golos encaixou (3). Mourinho até pode suportar os amuos de Vítor Baía.

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