Nem tudo o que parece é. Verdade. Mas, mesmo assim, parece cada vez mais que a TVI está moderadamente preocupada com a "acção galopante", chamemos-lhe assim, da televisão pública. Já se tinha percebido, há algum tempo, que Moniz havia redireccionado a mira. Tirando o "ataque" a Gisela (no final de 2002), quando uma acção-relâmpago desviou a "mulher-furacão" de Carnaxide para Queluz (uma alteração de apenas cinco, seis quilómetros na rota…), é difícil lembrar qual a última investida "bélica" de José Eduardo Moniz ao "quartel" da SIC. O que não deixa de ser muito estranho, uma vez que é, sem dúvida, a (aparentemente) enfraquecida estação de Pinto Balsemão que continua a mostrar mais capacidade para discutir a liderança.
E pode falar-se num aparente enfraquecimento da SIC porquê? Porque, em menos de dois anos, Carnaxide perdeu (para além de um carismático, notável e sagaz director-geral) figuras topo de gama como José Alberto Carvalho, João Baião (entretanto recuperado), Carlos Cruz e, ainda, Catarina Furtado – já para não falar das que deitou fora estupidamente, como Jorge Gabriel. Mesmo assim, penalizada desta maneira, a estação suportou a fase mais complicada da sua existência, reorganizou-se e equilibrou a luta – que até acaba por lhe ser favorável sempre que mais um mês chega ao fim e a TVI não consegue descolar. Por isso, não se percebe (à primeira vista, pelo menos…) porque Queluz se preocupa mais com a RTP do que com a SIC, que tantas vezes fica à frente.
Moniz tentou "tapar" a "Operação Triunfo" com uma atabalhoada "Academia de Famosos" (um horror que não deixa saudades); gastou mais de 60 mil contos para garantir os direitos de transmissão do Boavista-Celtic (a RTP tinha, no mesmo dia e à mesma hora, o Lázio-FC Porto, que deu um "bigode" nas audiências); banalizou os especiais temáticos que a televisão pública se lembrou de começar a fazer (recorde-se a barafunda no Dia das Comunidades…); e – mais evidente ainda – lutou até ao limite pelas Marchas Populares (curiosamente, foi a SIC que venceu esse dia). Como é que isto se explica? Facilmente. Sempre que a RTP faz um resultado mais gordo e chega, por exemplo, ao segundo lugar, Moniz já percebeu que é a TVI quem mais sofre, ao ponto de, nessas circunstâncias, ser mesmo a estação menos vista (terceiro lugar). Isto mesmo aconteceu várias vezes em Maio. Por isso, antes de atacar Carnaxide, que tem uma grelha mais "estática", menos surpreendente, José Eduardo Moniz prefere defender-se da televisão pública, que anda mais atrevida e disposta a "ir a jogo" de peito aberto. Mas isto não deve explicar tudo. Foi o director-geral da TVI quem o disse: "As únicas mudanças que vejo na RTP são… de marketing!" Mas disse mais (só que há mais tempo): "A SIC é a Globo 2 e a TVI está a conseguir vencer as novelas da Globo!" De repente, o silêncio. Há muito que Moniz não fala publicamente. Mas eu desconfio que há razões para questionar o "cessar-fogo" contra o seu velho admirador Pinto Balsemão. Veremos, mais adiante…
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