Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoO golpe dos selos sem garantia
14 de maio de 2006 às 00:00Em Espanha e Portugal milhares de pessoas acreditaram que os valores “tangíveis” eram uma boa aplicação. Até faziam publicidade e havia empresas com décadas de actuação no mercado, com nomes conhecidos acima de qualquer suspeita na administração, mas agora arriscam-se a resgatar apenas simples selos, alguns provavelmente falsos.
O processo ainda não terminou e será cedo para fazer juízos sobre a situação concreta dos produtos da Afinsa e do Fórum Filatélico. A procuradoria anticorrupção espanhola considera que a Afinsa liderada por um milionário comendador português, está numa situação de “absoluta insolvência”, e na queixa apresentada a procuradoria espanhola classifica de fraudulenta a operação desenvolvida pela empresa, que incluía a sobrevalorização e a falsificação de selos.
O negócio de selos, tal como o de antiguidades ou peças de arte, ou de qualquer coleccionismo pode ser perfeitamente legítimo, e até originar valorizações. No entanto não há nenhuma entidade de supervisão que garanta a aplicação destas poupanças. No sector financeiro os bancos centrais e as entidades reguladoras dos seguros têm essa função, mas na venda destas filatélicas não havia nenhuma entidade a controlar, nem ninguém a garantir o retorno dos investimentos.
CAMPEÕES DO DESEMPREGO
O relatório da Comissão Europeia diz que o desemprego em Portugal vai em 2007 ultrapassar a média europeia. Apesar das centenas de milhar de dramas pessoais, o desemprego só por si não é necessariamente o pior de todos os problemas económicos, Às vezes em períodos de reestruturação até pode ser o preço a pagar para haver maior crescimento, o que no futuro se traduz por melhores empregos. O problema é que além do crescimento do desemprego para números assustadores, a economia continua em marcha muito lenta.
O Banco de Portugal foi citado em Espanha como a única instituição de supervisão que lançou avisos públicos em relação ao investimento em valores filatélicos. De facto a omissão das entidades espanholas potenciou a megafraude.
Manuel Pinho rompeu com o projecto de Patrick Monteiro de Barros para a refinaria de Sines, mas no mesmo dia em que o desfecho foi conhecido a Galp anunciou a sua refinaria para a cidade portuária do Alentejo. Alguém acredita em coincidências?
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