Constitucional abre buraco". "Difícil de tapar: o buraco do Tribunal Constitucional". "Veja a dimensão do buraco deixado pelo acórdão".
Esta é a via que tem sido privilegiada para caracterizar as decisões do palácio Ratton, tratando-as como se fossem camiões pesados que deviam ser interditados de circular, pois abrem fossas na lisa autoestrada para o progresso com via verde e três faixas, nesse veludo de asfalto consensual que é a democracia para os neófitos liberais.
Vejamos. É evidente que o executivo tem de (só pode) encontrar caminhos legais para governar, no quadro constitucional no qual foi eleito, prescindindo do estupro dos princípios da lei fundamental. Óbvio. Não o fazendo, já pela terceira vez, é fácil concluir quem cavou o buraco, ao jeito do ‘Mostrengo’, de Pessoa que "À roda da nau voou três vezes/ Voou três vezes a chiar".
Assim, ao tribunal só restou responder como D. João II: "Três vezes do leme as mãos ergueu/ E disse no fim de tremer três vezes: Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um povo que quer o mar que é teu."
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