Em entrevista ao "Vatican Insider" - sítio vaticanista do jornal italiano ‘La Stampa' - Loris Capovilla, o secretário de João XXIII, sublinha como principal semelhança entre os dois papas o relacionamento com todo o tipo de pessoas, sejam cristãos ou não cristãos, chefes de estado ou gente humilde e anónima. Meio século depois, D. Loris Capovilla, atual arcebispo titular de Mesembria, ainda tem bem viva na memória a forma como João XXIII olhava e acolhia as pessoas, a sua serenidade e simplicidade. "Acontece o mesmo com o Papa Francisco", disse ao "Vatican Insider".
Uma outra característica, comum a ambos os sucessores de Pedro, é a de se assumirem como bispos de Roma. O cardeal Bergoglio, logo na sua primeira aparição pública, após a eleição para o exercício do ministério petrino, fez questão de se apresentar como bispo de Roma. O seu antecessor, o cardeal Roncalli, recusou-se a ficar restringido aos muros do Vaticano e retomou a atividade pastoral na cidade de Roma. Visitou os encarcerados e os doentes, várias paróquias de Roma, sobretudo as mais recentes nos subúrbios. Mudou os serviços da diocese de Roma para o Palácio Lateranense, junto da Basílica de S. João de Latrão, e exigiu que aí se preparassem aposentos para o receberem, para que "o Papa possa repousar na sua casa", como gostava de dizer. João XXIII será para sempre recordado como o Papa que convocou o Concílio Vaticano II e que devolveu o Papa ao mundo. Durante décadas, o Papa nunca ultrapassou os limites dos Estado do Vaticano. Com a unificação da Itália e a anexação da cidade de Roma ao novo Estado, em 1870, o Papa Pio IX passou a considerar-se refém do poder laico no Vaticano, ainda que formalmente nada o impedisse de sair. Em 1929 Pio XI assina com Mussolini o Tratado de Latrão, que oficializa a criação do Estado do Vaticano. Os muros são então parcialmente demolidos para deixarem passar a Via da Conciliação, símbolo da reconciliação da Santa Sé com o Estado italiano.
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