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Existe incúria quando o que se pode fazer de útil não se faz ou se substitui pelo inútil, ou quando impera o "não vale a pena" e é "uma maçada" levantarem-se ondas quando se gosta mais de mar sereno. Durante longos anos a sociedade portuguesa foi amestrada para a conduta social fortemente assente na aceitação, muitas vezes forçada, da lei natural da acalmia, isto é, do "mar sereno" levando inevitavelmente os mais incautos à indolência e à incúria.

Desde há cerca de 10 anos a esta data, os problemas do ambiente que se têm levantado em Portugal têm sido "badalados" com a mesma intensidade comparável à dos nossos parceiros comunitários, e em iguais circunstâncias. No entanto, como dizia um conhecido filósofo, . . . nada estaria por fazer se as coisas se resolvessem com a emissão de sons a partir das cordas vocais. Este é sempre um trabalho cómodo e fácil !

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Um amigo meu dizia-me há poucos dias, que as Câmaras Municipais em Portugal, na sua generalidade, não fazem ideia nenhuma de qual o número de pessoas, ou famílias nas suas jurisdições que se alimentam de águas dos poços, muitos deles abertos há dezenas de anos, e sem quaisquer análises químicas ou bacteriológicas realizadas.

Mais, o meu amigo afirmava também que os Serviços Médico-Hospitalares, na maioria das jurisdições camarárias do nosso país não estabelecem qualquer informação cruzada com os Serviços Municipais/Municipalizados sobre eventuais diagnósticos clínicos das populações com base na toxicologia ou epidemiologia. Claro que eu ainda hoje não acredito absolutamente nas afirmações do meu amigo, mas, se estas afirmações correspondem à verdade, então algumas explicações à população deste país são urgentemente devidas e necessárias. Numa época em que as patologias humanas se multiplicam e para as quais, na sua maioria não há explicação cabal quanto às suas origens, para alguém que acredite na relação cadeia alimentar-saúde (onde as águas desempenham um papel vital) esta falta de informação às populações, por desleixo, indolência ou incúria, raia os limites da intolerância de qualquer cidadão.

A responsabilização deste aberrante facto começa certamente naqueles que com responsabilidade institucional e cívica ao nível autárquico se devem "equipar" com recursos humanos apropriados para zelar de modo preventivo pelo bem estar dos cidadãos na sua esfera de jurisdição. Segundo, os Serviços Médico-Hospitalares terão que entender que a "era" da informação já chegou há considerável tempo e que os sintomas patológicos repetitivos das amostras populacionais são para ser divulgados aos órgãos municipais ou distritais com poderes para corrigirem anomalias existentes no seu "mundo físico". A população indefesa pode ser vítima, e o País cada vez mais empobrecido (para a doença todos pagam) com atitudes indolentes sejam elas por simples desleixo ou por ignorância.

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A problemática da falta de controlo na cadeia alimentar, em especial da qualidade das águas, já há muito que deixou de ser grave para ser uma falta gravíssima. Para a confirmação deste facto basta pensar-se nos produtos fitofármacos que são lançados anualmente à agricultura, em doses totalmente fora do controlo das autoridades, onde também não se vislumbra qualquer formação capaz, neste sentido, aos agricultores. Estima-se que destes produtos lançados sobre a horticultura ou fruticultura, 30% não são metabolizados pelos seres a que se destinam indo o restante atingir as toalhas de água por infiltrações.

Vou responder ao meu amigo mas não sei ao certo qual será o primeiro responsável por esta situação, já em si mesma também patológica. Responsabilizam-se os Governos Centrais, os Serviços Municipais/Municipalizados, os Serviços-Médico-Hospitalares ou todos eles ? - Ou responsabilizamos os cidadãos pelo facto de se alimentarem das águas sem quaisquer análises qualitativas mesmo não sendo eventuais conhecedores das suas consequências ? Haverá indolência, incúria, ignorância ou o "pacote" completo actuando com efeito sinergético contrário à filosofia de um mundo europeu comunitário que se pretende em todo o espaço desenvolvido, incluindo Portugal.

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