De concorrente a organizar, Portugal passou simplesmente a albergar - e as explicações podem ainda ser várias, desde a tentativa de prevenir os problemas de qualidade detectados no Euro’2000 (aprofundados pelos desencontros entre os dois países organizadores, Holanda e Bélgica) à falta de confiança nas capacidades dos dirigentes portugueses. Seja como for, o facto é que a UEFA, assustada com os dois anos da mais pura indolência que se seguiram à vitória de Aachen, decidiu controlar o evento, tal como Carlos Cruz em devido tempo prognosticou.
Nós damos os estádios (construídos por ucranianos, moldávios, angolanos e outros), o sol, o fado e a celebrada afabilidade do bom Povo português, tudo regado a vinho tinto, mas o resto, do marketing à segurança, passando pela bilheteira, é com a UEFA. E só mais tarde se verá se o aparente "franchising" é para continuar, na senda da Liga dos Campeões, ou se este foi inventado para garantir a competente realização da prova neste bocadinho da Europa que está mais perto de África.
Mas vamos ao que hoje interessa.
Se já é discutível que a FPF não tenha tido força para garantir para um português o cargo do suíço Kallen - obviamente mais importante do que o de António Laranjo, por alcunha director do torneio -, é inadmissível que Gilberto Madaíl tenha pactuado com o escândalo, hoje denunciado pelo ‘Correio da Manhã’, de aceitar que as caras metades de alguns destes "colonizadores" também ganhem a vida a "trabalhar" no Euro’2004.
É certo que a UEFA manda e paga, mas a FPF pode capitular em tudo menos nos princípios, no decoro e na dignidade. E Madaíl ainda é presidente da sociedade, não é?
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