As declarações do vice-presidente do CSM, dr. Santos Bernardino, ao jornal ‘Público’, de 22 de Setembro, a propósito da nomeação do dr. Pinto Monteiro para novo PGR, são politicamente graves. São graves porque representam uma indevida e inábil intromissão num acto de natureza política (a escolha do novo PGR). São graves porque vinculam publicamente o CSM, que deve manter reserva sobre esta matéria de Estado, no respeito pelo princípio da separação de poderes. São, ainda, graves porque dadas nessa qualidade e não a título pessoal.
Os estados de alma do vice-presidente do CSM não devem ser divulgados, desta forma, por muito que lhe custe, por respeito pelos outros órgãos do Estado. O CSM aparece, aos olhos do público, como estando descontente com a escolha do dr. Pinto Monteiro, o que não é sensato. Sinceramente, não sei se, num assunto desta gravidade, tem legitimidade para vincular aquele órgão. Será que os outros membros do CSM também não gostam do novo PGR?
Estas declarações reflectem o pensamento ideológico e cultural de uma tendência que, felizmente, está ultrapassada, mas que foi responsável pela cristalização do discurso da Justiça e pela não renovação dos quadros dirigentes.
Como dizia Nietzsche, quando olhamos para dentro do abismo, o abismo também olha para dentro de nós. O dr. Santos Bernardino, ao olhar para o abismo, teve necessidade de fazer uma confissão de consciência, por amizade ao dr. Noronha do Nascimento. Todos sabemos o que viu e daí estas inusitadas declarações. Pode não se gostar do novo PGR, mas é inegável que a sua nomeação surpreendeu pela positiva. Tiro o chapéu ao Governo e ao Presidente da República.
O DISCURSO DE BENTO XVI
O discurso do Papa Bento XVI inscreve-se num tempo de carência de valores éticos e morais. O sentido colectivo da vida deixou de contar. O individualismo, o hedonismo tomaram conta de nós. Este discurso de enorme densidade filosófica e teológica foi vítima de erros de interpretação. O Papa não fala do Islamismo, mas da Fé e da Razão. Diz que a Fé não pode, à força, impor-se à Razão, devendo ser esta a imperar. A Razão está no diálogo entre religiões e na liberdade de expressão, valores defendidos pelo Papa. O texto que citou da Idade Média serviu para explicar que o Islão não pode ser imposto à força.
Embora o Papa deva ter toda a prudência quando fala em público neste mundo perigoso, porque também pode errar (esbateu-se, felizmente, o dogma da infalibilidade do Papa, estabelecido em 1870 no Concílio Vaticano l), aqui não errou e, por isso, não tem de pedir desculpas por um acto que não cometeu. O Ocidente vive com medo. Não podemos deixar que o medo vença e que os senhores do “Islão da Violência” nos silenciem e amordacem uma cultura de paz e de tolerância religiosa.
Nasceu o ‘Sol’. Saúda-se o ‘parto’ deste jornal. Finou-se o pasquim ‘O Independente’ e nasceu o ‘Sol’. Tem qualidade para vencer o moribundo ‘Expresso’. Espero que me convençam, enquanto leitor, a trocar de saco nas manhãs de sábado, embora bebendo o mesmo café.
Prioridade à Educação. Dá gosto saber que a Finlândia, país que preside à União Europeia, dá cartas nesta área. Os seus alunos são os melhores do Mundo, segundo a OCDE. Todo o ensino é gratuito. Aqui é que a educação é uma verdadeira prioridade. Os nossos governantes deviam frequentar estas escolas para aprenderem como se faz.
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