A TVI conseguiu um facto a todos os títulos brilhante, mas que, por manifesta falta de conhecimento de alegados "entendidos" no assunto, quase passou despercebido. O resultado da transmissão da gala que assinalou os 10 anos de vida da estação (na última quinta-feira, no CCB) chegou a espantosos 52 por cento, em média, de "share" - o que é verdadeiramente notável nos tempos que correm. Nem um grande jogo de futebol, nem um episódio da "trinca-espinhas", nem o melhor "Jornal Nacional" de sempre poderão, um dia, chegar a estes números.
Infelizmente, para José Eduardo Moniz, a generalidade da Imprensa não conseguiu perceber a importância deste valor, limitando-se, nalguns casos, a referir que o programa não ficou entre os cinco mais vistos do dia, o que é redutor, injusto e, sobretudo, revelador da grande ignorância no que ainda toca à análise desta matéria. O caricato, porém, é que toda a gente, em Portugal, tem o atrevimento de falar de "share" e de audiência (e de dar os palpites mais absurdos), quando, em rigor, poucos sabem do que estão exactamente a falar. É por isso que, embora já me tenham pedido, jamais falarei de botânica, Bolsa ou estratégia militar. Para não fazer figuras destas.
Quando deixei o CCB, já para lá das duas da manhã dessa mesma quinta-feira, estava com a nítida sensação de que se tinha conseguido ali um resultado muito gordo. Histórico, até. Pela manhã, veio a confirmação: 52,5! Brutal. Tinha que ser, não havia outra hipótese: Manuela Moura Guedes a cantar, Júlia Pinheiro a tentar fazer o mesmo, alguns dos melhores actores portugueses a passar por aquele palco, interpretação ao vivo de conhecidos temas das novelas mais vistas, Júlio Magalhães a conduzir uma inesquecível coreografia que arrebatou o Grande Auditório e, entre outras pérolas que funcionam em qualquer parte do Mundo, uma série de oito mini-apanhados em que caíram as mais famosas estrelas da TVI.
Tudo isto, só podia dar no que deu. Para além do resultado (que permitiu "empurrar" a estação, na globalidade do dia, para 36 pontos de "share", o seu valor mais alto em 2003), a empresa passou para o exterior uma imagem de grande união, felicidade, frescura e, mais que tudo, confiança. Neste último caso, porém, é preciso tomar alguns cuidados, porque - em mais do que uma ocasião - Moniz já chegou muito perto da fronteira. A confiança, quando excessiva e repetidamente apregoada, pode confundir-se com a soberba e a arrogância. Não sei se será o caso, mas lembro-me de já ter visto um "filme" parecido nalgum lado…
Dúvida metódica: quando acaba, afinal, o "Anjo Selvagem"? Já esteve para ser no Natal, na passagem de ano, final de Janeiro, 20 de Fevereiro (aniversário da TVI), 21 de Fevereiro, 24 de Fevereiro, mas agora parece que há uma nova e definitiva (?) data: 25 de Fevereiro, próxima terça-feira. Acabe quando acabar, isto é "marketing" do melhor! Quem terá sido o “cabeça de atum” que teve esta ideia?
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt