Miséria não faltava, como não faltavam crianças, muitas crianças. Parece ser com alguma nostalgia por esses anos que certa Igreja Católica exorta agora os portugueses a terem mais filhos e a fazerem "todos os possíveis" para inverter a tendência de queda da natalidade. Tudo com sacrifício e pela Nação.
D. Antonino Dias, bispo de Portalegre e presidente da Comissão Episcopal da Família, lembra que "há umas décadas as dificuldades eram muito maiores e as famílias tinham mais crianças". Defende ainda que "a crise não explica tudo", fala em "tragédia para Portugal" e pede ao Governo para "acabar com o financiamento do aborto".
O prelado bem devia exigir, manifestar-se até com veemência por mais apoios para quem pretende aumentar a família, incentivos que ajudem os casais a tomar a decisão-chave de pôr uma criança no mundo. E que permitam dar-lhe, para lá de amor, as condições de vida a que todos têm direito. De preferência bem melhores do que as dos nossos avós. Afinal, também foi para isso que eles trabalharam ao longo dos anos.
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