Há 22 anos, em Marselha, a equipa de Portugal era inferior à da França. Nós tínhamos Chalana, Jordão… e uma imensa desorganização, com quatro treinadores no banco! Eles tinham um meio-campo extraordinário, com Fernandez, Tigana, Platini e Giresse, assente sobre uma defesa muito sólida, na qual estavam Le Roux e Bossis.
Surpreendentemente, o jogo foi decidido por um homem que só marcou dois golos nos escassos nove jogos internacionais que disputou com a camisola da França. Chamava-se Domergue e os dois golos foram nesse jogo…
Há seis anos, em Bruxelas, Portugal continuava a ser inferior à França. Desta vez, o ponto forte da nossa equipa estava no eixo Rui Costa-Figo, ainda que com o apoio dos jogadores que ainda sobravam da ‘geração de ouro’: Baía, Couto, Costa, JV Pinto. Eles tinham o génio Zidane na melhor forma de sempre e uma equipa que substituíra a técnica pela força, de que eram garante Deschamps, Petit e já Vieira. Despontavam Henry e uma esperança nunca confirmada: Anelka. Um polémico ‘penálti’ (de Abel Xavier) no último minuto deitou tudo a perder…
Hoje, objectivamente, a diferença não é tão gritante, mas a França continua a ser favorita para o desafio de hoje. Portugal tem uma espinha dorsal de enorme categoria, que começa em Ricardo Carvalho, passa por Maniche e desagua nos três homens mais mediáticos: Figo, Deco e Cristiano Ronaldo.
A França ainda tem um Zidane que se preparou para acabar em glória, Henry tornado um dos melhores do mundo, passou Thuram de lateral para central (com o abandono de Blanc e Desailly) e mantém o músculo de Vieira, a que juntou Makelele e a maior revelação do torneio, Ribery.
Não é fácil a tarefa, embora seja preferível defrontar a França do que o Brasil. Portugal melhorou bastante, em jogadores e sobretudo em organização, e enterrou de vez o mito da geração-Queiroz, da qual só resta Figo.
A França tem mais peso, melhor jogo interior, uma equipa refinada e experiente. Portugal é mais rápido e criativo nas alas, sobretudo se Figo estiver no seu posto, recuperado. Caso contrário, a velocidade compensar-se-ia com Simão, mas perder-se-ia a personalidade, o comando e a experiência de quem não teme em pedir e gerir a posse da bola.
Seria óptimo que as dúvidas sobre a utilização de Figo fizessem apenas parte da gestão de informação por parte de Scolari. Se assim for, a equipa não trará surpresas. Regressam Costinha e Deco, que bem necessários são para a luta do miolo, e de resto estão lá todos os habituais titulares. Quase de certeza que a selecção de Portugal vai estar na máxima força. E bem precisa.
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