No primeiro recenseamento de Portugal, há uns 130 anos, a aldeia da minha mãe, no concelho do Fundão, Beira Baixa, tinha tantos habitantes quanto Odivelas ou Olivais, às portas de Lisboa. A população trabalhava toda na agricultura. Há uns 50 anos, não faltava de comer, mas era tão difícil lá ir ou de lá sair que, quando aparecia a camioneta do peixeiro, as sardinhas, escassas, dividiam-se por dois ou três.
Nessa altura, a aldeia tinha uma escola primária. Hoje não tem. E também já ninguém cultiva a terra. Pouco interessa que o Estado tivesse gastado, em 2007, mais de 250 mil euros a requalificar a escola, agora em vias de fechar. Como também não vale a pena pensar nos milhões investidos no regadio a partir do Meimão, que não sei quem poderá servir. Os portugueses apertam-se, entretanto, no litoral, num povoamento tipo minhocão, e compram em supermercados produtos vindos do outro lado do mundo. É uma política-minhoca. Salva-se hoje, dia 21, o Feirão das Tradições, que, em Vila Praia de Âncora, promove a venda de legumes e frutas da região.
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