Há que guardar alguma prudência face ao entusiasmo gerado pelas diversas "primaveras" que vêm ocorrendo um pouco por todo o mundo.
De facto, o evoluir da vida política pode não assegurar o triunfo dos valores democráticos e a confusão a que se assiste hoje no Cairo deve recordar-nos que, de um ponto de vista sociológico, as ditaduras nem sempre são fatalmente impopulares. As variáveis que habitualmente se associam à política egípcia costumam ser três: a religião, a tradição militar e a pobreza.
Não obstante, se a violência não é uma característica essencial da religião islâmica - pese embora o facto de ser a mais mediática - tão pouco a natureza da instituição militar tem de ser forçosamente adversa à subordinação ao poder civil.
Por outro lado, ainda que as profundas desigualdades económicas possam prejudicar a evolução democrática, esta é sobretudo uma opção cultural que não depende apenas do poder de uma classe média.
Se somarmos a tudo isto o facto de o Egito ser um dos países que mais ajuda recebe dos Estados Unidos, talvez se vislumbre a chave de interpretação do que tem acontecido nas margens do Nilo.
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